AURINO
entrevista concedida a Carlos Eduardo F.Bittencourt para o
Grupo Um Milhão de Amigos

12.02.2001




Os que acompanham o Jornal Roberto Carlos desde o início puderam encontrar aqui entrevistas e histórias
daqueles que têm o privilégio de dividir o palco com Roberto Carlos.
Por esse nosso espaço já passaram Eduardo Lages, Luiz Carlos Ismail, Dedé, Tutuca, Barreto, Wanderley, Clécio e Evaldo.
Agora temos aqui o nosso simpático Aurino, sax-barítono do RC-9,
mais um dos grandes músicos que acompanham Roberto Carlos
e também mais um amigo que podemos anunciar como alguém que realmente É Papo Firme.


– Ana Paula, como é ser filha do Roberto Carlos?
AP – É normal, tem o lado bom de ser filha de uma pessoa maravilhosa, e é claro que também tem o lado ruim, da superexposição, mas eu acho isso normal. Eu e meus irmãos convivemos bem com isso, afinal já são tantos anos que mesmo a superexposição já não nos incomoda.

* Aurino, conte como foi o início de sua carreira.
A – Eu comecei em Salvador, tocando amadoristicamente, até que surgiu uma proposta para me profissionalizar. Na época eu estudava odontologia e larguei a faculdade. Por volta de 1951, talvez 1952 eu já tinha um ano como músico profissional, deixei Salvador e vim para o Rio. Cheguei aqui na segunda-feira, comecei a trabalhar na terça e não parei mais.

* Como foi o seu início no Rio?
A – Comecei tocando na orquestra do Napoleão Tavares e também em outras. Em seguida consegui um emprego na Rádio Tupi, onde trabalhei muitos anos junto com o Barreto, que também faz parte do RC-9. É curioso que nossas carreiras estão sempre ligadas. Eu levei o Barreto para a Bahia, depois ele veio para o Rio e meses depois em vim. E continuamos trabalhando juntos. Após muitos anos na Rádio Tupi, fui para a TV Tupi fazer parte da orquestra do Maestro Cipó. No início da década de 70 deixei a TV Tupi e fui para a TV Globo.

* Foi na Rádio Tupi que você conheceu o Roberto, já que ele freqüentou muitos programas de auditório naquela época?
A – Não, eu comecei a trabalhar com o Roberto na gravação dos seus discos, quando eles eram gravados no estúdio da CBS, na Rua Visconde de Rio Branco, no centro do Rio. Depois me chamaram para fazer parte da orquestra do seu primeiro show no Canecão, em 1970. Era uma super-orquestra dirigida pelo maestro Chiquinho de Moraes, unida ao RC-7. Mas antes desse show eu já havia participado de muitas gravações das músicas do Roberto que têm metais. Eu me lembro perfeitamente da primeira que foi a música “Eu te amo, te amo, te amo”, que inclusive está agora no show “Amor sem limite”.

* Nessa época você já excursionava com ele nos shows pelo Brasil e pelo Exterior?
A – Não, eu tocava com ele apenas no Rio. Naquela época o Roberto só viajava acompanhado de seu conjunto, o RC-7. Quando ele cantava no Rio contratava músicos daqui. Quando o show era em São Paulo, os músicos eram paulistas. Já nas outras cidades ele cantava apenas com o RC-7. Nessa ocasião, grandes orquestras só eram encontradas no Rio e em São Paulo. Eu só passei a viajar quando o Roberto começou a levar a orquestra em suas tournées, isso já no final da década de 70.

* Conte um pouco do dia-a-dia das gravações.
A – Era bem diferente de hoje em dia, a técnica não era como a atual. Hoje você grava primeiro a base, depois os violinos, metais, a percussão... Quando a parte instrumental já está pronta é que o cantor coloca a voz. E a tecnologia permite que se grave uma frase hoje, outra amanhã, enfim, gravar a canção aos poucos. Antigamente não, se gravava tudo ao mesmo tempo, era como se fosse ao vivo. Ele colocava a voz junto com os instrumentos. Se não ficava bom voltávamos e recomeçávamos tudo.

* Havia descontração durante as gravações ou o clima era tenso?
A – O clima de gravações do Roberto sempre foi muito profissional, mas bastante descontraído. Quando sobrava um tempinho Roberto gostava muito de contar piada, mas na hora em que estava gravando não havia lugar para brincadeiras. Roberto sempre foi muito perfeccionista, principalmente nas gravações, porque ele sabe que quando o disco é lançado ele fica para a posteridade.

* Como hoje, naquela época eram sempre horas de trabalho gravando?
A – Eram, sim. Eu me lembro que nós começamos cedo a gravar “Eu te amo, te amo, te amo”, por volta das duas horas da tarde e acabamos meia-noite. Isso só uma música. Até hoje qualquer gravação do Roberto é assim. Ele grava uma música em um ou dois dias, às vezes demora até mais.

* Essa rotina de horas e horas gravando não era cansativa? O que vocês faziam nos poucos momentos de descanso?
A – A gente ia dar uma volta, comer alguma coisa. Sobre as horas no estúdio isso se deve à determinação do Roberto, que só grava o que quer. Se não gostava de algum dos arranjos de imediato pedia para o maestro Pachequinho tentar refazer tudo, e a gente tinha que ficar esperando.

* Você chegou a participar do programa “Jovem Guarda”?
A – Não, quando eu conheci o Roberto ele já havia saído do “Jovem Guarda”. De qualquer forma, nos programas ele não cantava com orquestra, mas apenas com o seu conjunto.

* Mas além de participar de shows você também acompanhou o Roberto em muitos programas de televisão.
A – Bastante, e muitos antes de ele fazer os Especiais na Globo. Tenho uma foto tirada no palco da TV Tupi, no programa Flávio Cavalcante, em que aparecem o Roberto, o maestro Cipó, o Carlos Manga e eu. Mas eu participava porque fazia parte da orquestra do Maestro Cipó que era da TV Tupi e nós sempre acompanhávamos os artistas que se apresentavam. Na Globo, então, eu participei de todos os Especiais.

* Quais são os músicos atuais que já participavam da orquestra do Roberto quando você entrou?
A – Do pessoal do RC-7 que continua com ele até hoje tem o Dedé, o Wanderley e o Clécio. Esses estão há muitos anos junto com Roberto. Agora, eu posso me considerar o mais antigo em gravações e em participação na orquestra do Roberto Carlos, pois como já falei ele só contratava para temporadas no Rio e em São Paulo.

* Roberto era mais acessível do que hoje?
A – Era bem mais acessível. Até há poucos anos quando fazíamos tournées ele nos convidava para reuniões na suíte onde se hospedava nos hotéis, viajava sempre com a gente no mesmo avião. Eu me lembro de uma vez em que estávamos mais de um mês fora de casa, na América Central, e ele liberou meia hora de telefonema internacional para que pudéssemos falar com nossos familiares aqui no Brasil. Hoje, tudo é mais difícil, até mesmo se encontrar com ele fora do palco. Mas quando precisamos conversar com o Roberto, marcamos um horário com a Carminha e ele sempre nos atende, antes ou depois dos shows.

* Você chegou a participar de todas as temporadas do Roberto Carlos no Canecão?
A – Só não participei de uma temporada, agora não me lembro qual, mas foi uma das últimas, porque eu estava viajando. De todas, eu me recordo com muito carinho mesmo foi do primeiro show.

* Fale um pouco sobre aquela temporada.
A – Foi toda muito especial. É claro que qualquer estreia é sempre tensa, até hoje, principalmente numa grande casa de espetáculos, já que a gente sabe que estão presentes convidados especiais, imprensa, e fica a expectativa se tudo vai sair bem, mesmo sabendo quase todas as musicas de cor, pois algumas já tocamos há muito tempo. Mas aquela temporada foi diferente porque o Roberto não estava acostumado a cantar com orquestra. Apresentar-se com orquestra acabou virando uma rotina na carreira dele, mas eu me lembro que teve uma temporada que tínhamos no palco harpa, dezesseis violinos, uma verdadeira sinfônica, acho que foi o show que ele fez em 1978/79.

* Vocês costumam ensaiar muito antes de cada temporada?
A – Ensaiamos uns dos dias antes do show as músicas novas e abertura,e aí todo mundo sabe que não tem hora para terminar, entramos pela madrugada a dentro. No dia da estreia, aí sim, ensaiamos o show todo antes, com iluminação e tudo. Na primeira temporada no Canecão acho que ensaiamos durante uns quinze dias.

* Como é a convivência de vocês da orquestra?
A – É muito boa, somos verdadeiros irmãos. Ninguém dá trabalho, os gerentes dos hotéis nunca fizeram uma queixa da gente ao Roberto. Nesses anos nunca vi músicos brigarem entre si, pelo contrário somos muito amigos. Já vi muitos músicos pararem de fumar para respeitar os outros porque a maioria não fuma. Pouca gente bebe, a não ser uma cervejinha ou outra depois dos shows, mas nada de se ver músicos embriagados. O Roberto jamais teve aborrecimento por problemas de disciplina.

* Como são os contratos de vocês?
A – Quase todos os músicos são autônomos a não ser uns três ou quatro que têm contratos. Até o ano passado uns cinco ou seis tinham uma firma própria, mas assim mesmo somos autônomos.

* Quantos shows vocês fazem por ano com o Roberto Carlos?
A – Já teve ano que fizemos de setenta a oitenta shows por ano, cerca de quatro a seis shows por mês. Quando viajamos para o Norte e Nordeste já chegamos a fazer de quinze a vinte shows num só mês. Hoje, acredito que o Roberto deve fazer de trinta a cinqüenta shows por ano, não mais que isso.

* Você já conheceu muitos países com o Roberto Carlos. Qual o público mais caloroso?
A – Eu já viajei muito com ele pela América Central, América do Sul e Europa. Em todos os países há um respeito e um carinho muito grande pelo Roberto, mas no México e na Argentina os fãs têm uma verdadeira idolatria por ele, até parece que o Roberto está cantando no Brasil. Em qualquer cidade desses países é casa super-lotada e “briga” do lado de fora para se comprar ingresso.

* Você está com saudades dos shows no Exterior?
A – É, já tem muito tempo que o Roberto não canta lá fora. Acho que já está na hora de ele gravar um disco em espanhol para sairmos em excursão, mudar um pouco o idioma.

* Existe muita diferença nos shows lá fora?
A – Existe, porque em muitos casos a plateia se divide entre brasileiros e espanhóis. Então o Roberto canta parte do show em português, e parte em castelhano, e o engraçado é que às vezes ele começa a cantar a musica em um idioma e na metade canta em outro. A plateia parece uma torcida organizada, vibra quando o Roberto Carlos canta em seu idioma.

* Para você que está há muito tempo com o Roberto, como foi a transição entre a saída de Chiquinho de Moraes e a entrada do Eduardo Lages?
A – O Chiquinho se aborreceu e deixou a banda quando ensaiávamos para uma nova temporada no Canecão. Aí chamaram um maestro, que agora não me lembro quem era, que não deu certo. Só depois veio o Eduardo, que está com o Roberto até hoje.

* Qual a última vez que você gravou com o Roberto Carlos?
A – Recentemente eu cheguei a participar de algumas gravações, que agora não me lembro. (NR- Aurino participou das gravações de “Custe o que custar” e “Meu coração ainda quer você”, no disco lançado em 1994). Mas hoje é bem diferente de antes, pois a gente chega no estúdio, grava a nossa parte e pronto. Só depois quando o disco sai é que vamos saber como ficou a gravação. Antes era tudo ao vivo, na mesma hora.

* Me conte uma grande emoção que você já viveu no palco com o Roberto Carlos.
A – Foram dois shows, um em Los Angeles e o outro no Madison Square Garden, em Nova Iorque. O Roberto Carlos e a banda se superaram naqueles shows para fazer o melhor possível e agradar ao público, principalmente porque a plateia estava dividida entre as colônias brasileira e estrangeira, e o Roberto conseguiu agradar a todos. É sempre muita emoção ver um cantor brasileiro fazer sucesso no Exterior. Eu me lembro que na plateia de Los Angeles havia várias celebridades, como o Ray Connif e o Sérgio Mendes, e depois todos foram até o camarim falar com ele, tirar fotografia e até pedir autógrafo.

* Como é o Roberto Carlos como patrão?
A – Ótimo, ninguém pode reclamar de nada. Ele não é exigente em nada, a não ser no profissionalismo. A única coisa que ele quer saber no início de cada temporada é sobre as nossas roupas, sempre escolhendo aquelas cores preferidas dele, azul ou branca.

* É o Roberto quem escolhe o figurino de vocês?
A – Não, tem um figurinista para isso, mas é claro que ele tem que aprovar.

* Como foi para você o período de afastamento dos palcos, no ano passado?
A – Foi difícil, muito difícil, ruim para todo mundo. Por sermos autônomos tivemos que sair a procura de emprego, o que não é nada fácil. Até os músicos com carteiras assinadas também passaram dificuldades. Para dar um exemplo, antes de entrar na orquestra do Roberto Carlos eu sempre era requisitado para gravações, gravei com quase todos os grandes nomes da MPB. Mas quando entrei na banda e com as viagens e shows pelo Brasil e Exterior, eu fui perdendo esse espaço, pois sempre que me procuravam para gravar eu estava viajando. Então outros músicos tomaram o meu espaço e fica difícil recuperar o mercado. Agora mesmo soube que não me chamaram para participar de gravações de carnaval porque pensavam que estava viajando. Só que este mês não tem nenhum show programado. Além do mais, muitas pessoas pensam que por tocar com Roberto Carlos estou rico e que não preciso trabalhar.

* Houve algum receio de que o Roberto Carlos não fosse conseguir voltar aos palcos?
A - Todos nós ficamos com esse medo, receio de que ele não superasse a dor pela morte da Maria Rita e até mesmo desistisse da carreira. Mas graças a Deus, o Roberto é forte e está superando isso. Hoje ele está bem mais alegre se compararmos com o show que ele fez em Recife no dia 11 de novembro do ano passado. Nós que estamos no palco com ele percebemos isso.

* Como foi a expectativa de vocês para aquele show no Recife?
A – Havia uma tensão muito grande para saber se o Roberto Carlos resistiria à emoção, se iria conseguir cantar as músicas que fez para a Maria Rita. Teve um recente show no Nordeste que quase ele teve que sair do palco para se refazer, pois estava muito emocionado. Agora não, agora quando ele canta as músicas feitas para a Maria Rita, quando as fotos dela aparecem no telão, ele já não se abate tanto, já está mais seguro. Mas apesar da tensão que havia naquele show do Recife pelo comportamento do Roberto, entre a gente o que tinha era uma ansiedade muito grande por estarmos retornando às atividades depois de quase um ano parados.

* Depois de tanto tempo afastados, vocês tiveram algum contato com o Roberto antes do show de Recife?
A – Não, nenhum. Desde aquele tempo afastado nós só voltamos a nos encontrar em Recife, na véspera do show. A não ser um ou outro músico mais chegado a ele é que pode ter se encontrado com o Roberto naquele período em que estivemos parados.

* Como é a rotina do Roberto antes de subir no palco?
A – Ele é um dos poucos cantores que chegam ao local com muita antecedência. Num show que começa entre dez e onze horas da noite, o Roberto chega por volta das seis da tarde. Mesmo nas excursões, ele vai de jatinho e quase sempre ao chegar à cidade vai direto para o local do show e fica no camarim. Às vezes em alguns shows sai direto para o aeroporto. Quando saímos do palco Roberto já está longe. Por isso fica difícil atualmente nos encontrarmos com ele.

* Nos shows vocês fazem a passagem de som com o Roberto Carlos?
A – Primeiro a banda faz a passagem de som e logo depois o Roberto. Só em alguns shows é que fica impossível fazer a passagem como recentemente na apresentação que fizemos em Praia Grande porque desde às quatro da madrugada já tinha gente no local. No show no Ibirapuera, em 25 de janeiro, nós e o Roberto passamos o som na noite anterior.

* Como foi essa apresentação no Parque do Ibirapuera, para cerca de 150 mil pessoas?
A – Foi uma maravilha, uma verdadeira multidão, mas acho que na Praia Grande tinha mais gente ainda, principalmente porque era um espaço aberto e você perdia de vista a multidão. No Ibirapuera talvez tivesse mesmo número de pessoas, mas como é um local arborizado ficava difícil ver a quantidade de fãs. Eu me lembro também de uma apresentação que fizemos em Mar del Plata, que tinha uma multidão na praia de sumir de vista. Até a imprensa argentina destacou a quantidade de pessoas que o Roberto levou àquele show.

* Para os músicos existe uma expectativa maior numa apresentação num local aberto?
A – Em termos de show não, para nós tudo é igual, a diferença é que nesses locais, e com shows de dia, nós vermos a reação do público de longe, enquanto numa casa de espetáculo nós só temos a visão das primeiras filas por causa da iluminação. É claro que quando o público é mais caloroso, o que quase sempre acontece nessas ocasiões, ficamos mais empolgados. Mas, graças a Deus, tanto ao ar livre quanto em recintos fechados a reação do público é bastante calorosa.

* Roberto Carlos analisa os shows, chega a mudar alguma coisa durante as apresentações?
A – Todos os shows são gravados, e o Roberto vê o vídeo de todas as apresentações em casa. Ele sabe de tudo o que acontece, e tem que ser assim pois ele fica de costas para o palco não tem ideia nem mesmo de como é a iluminação. Tem duas câmeras ali que chamamos de alcagüetes.

* Você é reconhecido nas ruas como músico do RC-9?
A – Sou, principalmente depois dos Especiais da Globo. Sempre tem gente que liga para mim dizendo que me viu na televisão, os vizinhos conversam comigo. O engraçado é que na televisão eu sou o mais focalizado da banda. No show do Ibirapuera eu apareci diversas vezes no telão.

* Qual a sua música preferida das músicas do Roberto Carlos?
A – A primeira que gravei com ele, “Eu te amo, te amo, te amo”.

* Vocês são muito assediados pelo público?
A – Quando termina o show os fãs vêm sempre falar com a gente, porque nos reconhecem pela roupa, muitos vêm pedir autógrafos, tirar fotografia, nos beijar. Até dizem que como não vão conseguir chegar ao Rei, serve abraçar um músico do Rei.

* E nos hotéis, alguns fãs ficam esperando vocês?
A – Muita gente, principalmente porque pensam que o Roberto também está hospedado conosco. Eles não sabem que quase sempre Roberto só viaja no dia do show, e mesmo assim quando faz excursão raramente ele fica no mesmo hotel, para evitar tumulto na porta. Então as garotas descobrem onde estamos hospedados e ficam horas e horas na porta esperando o Roberto Carlos, pensando que ele também está lá.

* Tem algo curioso que você poderia nos contar desses anos todos de convivência com o Roberto Carlos nos palcos?
A – Eu me lembro de um show numa cidade de São Paulo, quando caiu um tremendo temporal. Como ninguém foi embora, Roberto continuou cantando. O Pepe e o pessoal de apoio pegaram cabos de vassoura e ficaram suspendendo a lona para cobrir o palco para tirar a água. Roberto pegou uma capa de chuva, vestiu e cantou até o final com a capa.

* Como é a preparação do Roberto antes de subir no palco?
A – Ele se concentra muito antes de cada show. Depois da passagem de som fica cerca de duas a três horas no camarim se preparando, rezando, e poucas pessoas têm acesso a ele. Nós também temos essa rotina, sempre antes de cada espetáculo peço a Deus que dê tudo certo. Nesse momento atual, ainda difícil para o Roberto, sempre rezo pedindo a Deus que tudo saia perfeito, que seja sempre igual aos shows antigos.

* Você acha que a simplicidade do Roberto tem grande importância para o sucesso de sua carreira?
A – Sem dúvida. O carisma que ele tem é por causa de sua simplicidade. Roberto tem um carisma que contagia qualquer pessoa, independente da faixa etária ou condição social. É incrível a presença de jovens em seus shows. Isso tudo é fruto de seu carisma.

* Você costuma ouvir discos do Roberto em casa, e tem alguma época de preferência?
A – Eu gosto de várias músicas do Roberto Carlos e tenho quase toda a coleção dele. Gosto muito das canções antigas e algumas que ele canta nesse show marcaram a minha vida.

* As críticas negativas te magoam?
A – Não, nem um pouco, mas é claro que é desagradável ler certas críticas porque gosto dele, sou fã do Roberto e devo uma boa parte da minha vida a ele. Crítico que não tem fundamento e assunto acha que criticar Roberto o fará aparecer.

* O que significa para você tocar com Roberto Carlos?
A – Profissionalmente é quase tudo, pois tenho certeza de que muitos músicos gostariam de estar no meu lugar. Não é qualquer um que pode estar na banda de Roberto Carlos. Fazer parte da orquestra dá um alto status, a mídia sempre acha que você é o melhor por tocar com ele. Até a crítica americana elogia a banda do Roberto Carlos como uma das melhores do mundo. Todo mundo acha que somos os melhores músicos do Brasil pelo simples fato de fazermos parte do RC-9, e acho que de fato somos.

* Como você define Roberto Carlos?
A – Eu gosto dele como pessoa, como cantor, como ator e como patrão. Gosto do Roberto Carlos sem restrição.



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