AURINO
entrevista concedida a Carlos Eduardo F.Bittencourt para o
Grupo Um Milhão de Amigos

12.02.2001




Quem assistiu ao show “Romântico”, de Roberto Carlos, com certeza ficou emocionado com um dos momentos mais bonitos do espetáculo, quando ele se sentava num banquinho ao lado do piano de Wanderley, e cantava “De tanto amor”. Um dos momentos inesquecíveis que faz parte do CD lançado em 1998. Em todos os shows da tournée que percorreu o Brasil por quase dois anos, sempre que cantava essa música, Roberto fazia questão de dizer que ela havia sido feita por ele e Erasmo Carlos para Claudette Soares e que em troca eles receberam de Claudette o sucesso de presente.

* Como começou a sua carreira?
CS – Eu sou carioca, do bairro de Laranjeiras, e comecei a cantar em programas infantis. Durante a minha adolescência o baião era a grande moda e eu cantava músicas de Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, além de gostar de cantar frevo. Ficava fascinada com o estilo da Ademilde Fonseca, que fazia uma linda divisão das frases quando cantava chorinho. Mas sempre cantava o baião e o frevo levando para um lado bem moderno, acompanhada do Sivuca no acordeon e de outros músicos maravilhosos. Até que o Luiz Gonzaga começou a me chamar de “Princesinha do baião”, como até hoje muitas pessoas me conhecem. O Gonzaga falava que eu jamais seria a “Rainha do baião”, porque tinha um jeito moderno na maneira de cantar, levando para o lado romântico. Eu tenho muito orgulho de dizer que naquela época era moderna sem saber, pois ainda hoje o baião é reverenciado.

* É verdade que você participou do programa “Clube do Guri” e chegou a conhecer o Roberto que também se apresentava no programa?
CS – Eu participava do Clube do Guri na época do Silveira Lima. Acho que o Roberto participou de outra fase do programa. Eu não cheguei a conhecê-lo no programa, só fui conhecer Roberto Carlos na Boite Plaza.

* Quando a Bossa Nova surgiu em sua vida?
CS – Depois do Clube do Guri eu participei de outros programas de calouros, como o “Papel carbono”, “Pescando estrelas”, até que fui convidada para cantar na Boite Plaza, em Copacabana. Eu me lembro bem do Roberto Carlos que também se apresentava naquela boate, cantando Bossa Nova de uma forma que eu achava muito linda. Quem me chamou a atenção para o Roberto Carlos foi a Silvinha Telles, que sempre acreditou no sucesso dele. Eu me lembro que um dia a Silvinha levou a maior vaia de sua vida, no Teatro Paramount, em São Paulo, só porque cantou uma música do Roberto Carlos. Nos anos 60, existia uma certa rivalidade de algumas pessoas da turma da Bossa Nova em relação à Jovem Guarda.

* Você também sofreu patrulhamento, por ter gravado músicas do Roberto Carlos em plena época da Bossa Nova?
CS – Não só por ter gravado músicas dele, mas porque também participei do programa “Jovem Guarda”, que eu achava lindo e maravilhoso. Algumas pessoas me viraram a cara. Na época eu fazia parte do programa “O Fino da Bossa”, comandado pela Elis Regina e Jair Rodrigues, também na Record. Depois de cantar no “Jovem Guarda” eles suspenderam o meu contrato por um ano. Mas a Elis Regina deve ter percebido o quanto estava errada com sua atitude, pois anos depois chegou até chegou a gravar “As curvas da Estrada de Santos”. A própria Nara Leão, considerada a musa da Bossa Nova, sempre gravou Roberto Carlos e mais tarde até lançou um disco só de músicas de Roberto e Erasmo. Eu nunca tive preconceito contra qualquer tipo de música.

* Naquela época você já percebia alguma importância no movimento da Jovem Guarda?
CS – Eu mesmo fui apaixonada pela Bossa Nova e também pela Jovem Guarda, podiam até me chamar de uma ovelha negra da Bossa Nova. Eu gostava daquele tipo de música e até hoje sou muito amiga de vários músicos da Jovem Guarda, e nunca vi diferença nenhuma.

* Foi nesse período que você se tornou grande amiga do Roberto Carlos?
CS – Foi o início da minha relação de amizade com o Roberto Carlos, que desde aquela época me prometia que um dia iria fazer uma música para mim, o que veio a acontecer com “De tanto amor”, em 1971.

* Mas antes da música “De tanto amor”, quais as músicas que você já tinha gravado de Roberto Carlos?
CS – A primeira que gravei foi “Como é grande o meu amor por você”, em 1967. Depois gravei “Não quero ver você triste”, em que lancei o César Camargo Mariano, que foi músico e marido da Elis Regina, me acompanhando ao piano. Também tinha gravado “As flores do jardim de nossa casa”, com participação do Antônio Adolfo no piano.

* Você chegou a ser vizinha do Roberto Carlos, em São Paulo?
CS – Logo que ele se mudou para São Paulo nós moramos na mesma rua em Higienópolis. Depois, quando se casou com a Nice, eles foram morar no Morumbi, mas eu sempre freqüentava a casa deles e cheguei a me tornar muito amiga da Nice.

* Como nasceu essa amizade?
CS – Quem nos apresentou foi o próprio Roberto quando estava fazendo um show no Canecão, em 1970. Um dia eu fui vê-lo e a Nice estava lá em cima, no camarote, e eu numa das primeiras filas da platéia. A Nice viu quando o Roberto jogou um beijo para mim no palco, e logo me reconheceu. O Roberto já havia me falado que ela já era minha fã.

* Fale um pouco de “Não quero ver você triste”, que você gravou numa versão diferente da gravada pelo Roberto Carlos.
CS – A minha versão tem uma letra do Mário Telles, irmão da Silvinha Telles, na parte assobiada pelo Roberto Carlos. Quem teve a ideia foi a Silvinha ao ouvir a melodia do Roberto. Quem faz a letra foi o Mário, mas eu acho que a Silvinha o ajudou, mas como ela era muito discreta não colocou seu nome como co-autora. Pelo muito que a conhecia, tenho quase certeza de que essa letra tem a mão da Silvinha. Essa versão mostra bem a grandiosidade do Roberto Carlos, e também do Erasmo, claro, por aceitarem uma outra parceria. Acho que isso também ajudou muito a música a fazer sucesso, por ter entrado um outro compositor na parceria de Roberto e Erasmo, até hoje algo raro na carreira dos dois. E ainda mostra que o preconceito com a Jovem Guarda só havia por parte de algumas pessoas da Bossa Nova, pois a Silvinha, uma das maiores cantoras de bossa nova de todos os tempos tinha uma admiração muito grande pelo movimento jovem.

* Como surgiu a música “De tanto amor”?
CS – Como te falei desde a época da Jovem Guarda, Roberto prometia fazer uma música para mim. Em 1970, eu estava montando o espetáculo “Fica combinado assim”, do João Bethencourt, com o Pedrinho Mattar e o Agildo Ribeiro, no Teatro Princesa Isabel, no Rio. Pouco antes de estrear eu cobrei a música que ele havia me prometido. Já estava ficando apreensiva porque faltavam quinze dias para a estreia e nada da música do Roberto Carlos.Um dia eu encontrei o Roberto e Nice aqui no Rio, e de dentro do carro ela acenou querendo dizer que eu aguardasse que a música estava chegando. Até que poucos dias antes da estreia, parou na porta do teatro um carro conversível vermelho; era o Roberto Carlos, que foi me levar a música. Ele me mostrou uma canção lindíssima que se chamava “Despedida”, mas ele não estava gostando do título e me pediu uma sugestão. Não sei qual a inspiração que tive, já que nunca compus nada, e sugeri “De tanto amor”. Ela é até hoje o maior sucesso da minha carreira, e por causa dessa e de outras músicas que gravei dele, passei a ser conhecida como a cantora do Roberto Carlos.

* Qual foi a sua reação ao ouvir “De tanto amor” pela primeira vez?
CS – Eu fiquei enlouquecida, mas tive dificuldades para gravá-la. Toda a diretoria da minha gravadora na época não queria que eu a gravasse porque achava a música muito erudita. Ela tinha um arranjo lindo do Chiquinho de Moraes, com um começo meio sem andamento. No entanto, a música era o maior sucesso do show. As pessoas saíam do teatro para comprar o disco e não achavam porque eu ainda não a tinha gravado. Roberto me deu seis meses de exclusividade, e se eu não a gravasse nesse período, ele iria gravá-la antes de mim, e é claro que se ele lançasse antes, ninguém nunca iria se lembrar da minha gravação.

* Como foi resolvido esse impasse com a gravadora?
CS – Nossa, a briga com a gravadora foi tanta que eu estava disposta a sair da Phillips se não pudesse gravar a música. Foi preciso o diretor-geral da empresa, André Midani, vir do México para resolver o problema. Na noite em que o André Midani foi me ver no teatro, quem também estavam presentes? O Roberto e o Erasmo Carlos. Minutos antes de o show começar, o Orlando Miranda, dono do Teatro Princesa Isabel, me disse que os dois estavam na platéia. Eu confesso que não acreditei, porque vocês sabem que é muito difícil o Roberto ir a um espetáculo de outro artista.

* Como a plateia reagia ao ouvir “De tanto amor”, ainda desconhecida já que não tinha sido gravada?
CS – Com uma verdadeira ovação. Todos os dias eu tinha que cantar duas vezes seguidas por causa dos aplausos. Para você ter uma ideia, o show ficou em cartaz por mais de três anos. A banda nem esperava direito a reação do público e já começava a tocar novamente a introdução. Mas comecei a ter problemas dentro do espetáculo, pois havia ciúmes dos outros artistas com quem eu dividia o palco, já que eu estava sendo considerada a grande atração do show. Até mesmo o Pedrinho Mattar, com quem eu hoje me dou muito bem, tocava de maneira errada para me atrapalhar. No dia em que o Roberto foi ver o espetáculo, eu mandei um bilhete para ele antes do show, pedindo desculpas se a música não fosse bem interpretada, mas era porque estava sofrendo uma certa pressão. A pessoa que levou o bilhete voltou ao camarim com uma resposta, de que ele estava sabendo de tudo e foi por isso que fez questão de ir ao teatro para me ver. Eu sou tão audaciosa que naquele dia antes de cantar “De tanto amor” me virei para o Pedrinho Mattar e disse: Vai tocar direito hoje, porque o nosso Rei está aí.

* Como foi a recepção do seu público quando você gravou “De tanto amor”?
CS – Seis meses depois, quando o prazo de exclusividade dado pelo Roberto já estava terminando, eu a gravei, e ninguém mais me segurou. “De tanto amor” fazia muito sucesso no Rio, mas ainda não era conhecida em São Paulo.

* Como assim, dá para explicar?
CS – Naquela época, a divulgação era muito diferente do que acontece hoje. O artista tinha que estar presente. Hoje o lançamento é nacional. Eu tive que ir para São Paulo lançá-la e me lembro de uma outra passagem em que o Roberto Carlos também foi fundamental. No programa do Sílvio Santos existia um quadro em que julgavam as músicas e me chamaram para apresentar “De tanto amor”, só que eu não fui. Disseram ao Sílvio Santos que eu não queria submeter a música a julgamento porque ela já era sucesso no Rio. Eu nunca falei isso, mas foi o que passaram para o Sílvio e ele disse isso no ar, defendendo seus jurados. Na mesma noite eu recebi um telefonema do Marcos Lázaro pedindo que eu assistisse ao programa do Flávio Cavalcante pois teria uma surpresa. O Roberto entrou no programa, cantou vários sucessos dele, e depois pegou o violão e disse: “Agora eu vou cantar uma música que eu e o Erasmo fizemos para a Claudette Soares, que é a responsável por todo o sucesso que esta canção está fazendo”. Aquelas mesmas palavras que ele falou recentemente no seu show. Aí a minha gravação explodiu em todo o Brasil. No dia seguinte o André Midani me ligou, mandou eu arrumar as malas e ir para São Paulo porque “De tanto amor” tinha estourado em todo o país.

* Meses depois Roberto Carlos gravou “De tanto amor”. A gravação dele chegou a atrapalhar o seu sucesso?
CS – Só acrescentou, apesar de a gravação dele ter saído logo depois da minha. Mas a minha gravação já estava fazendo um sucesso muito grande.

* Como foi o convite para Roberto Carlos e Nice serem seus padrinhos de casamento?
CS – Tudo começou no dia em que o Roberto me mostrou “De tanto amor”, antes da estreia do show. Eu namorava o Gilbert, um cantor francês, e com o casamento quase marcado. Naquele dia, o Roberto perguntou o nome do rapaz que estava me acompanhando ao piano. Eu falei o nome o Roberto disse que quando eu me cassasse com ele era para convidá-lo para ser o padrinho. Eu achei aquilo um absurdo, porque Roberto sabia que eu namorava o Gilbert e que o rapaz que tocava piano era mais novo que eu. Mas Roberto continuou insistindo naquela história e chegou a deixar o telefone de sua casa para que eu comunicasse o dia e a hora do casamento para ele ser o padrinho. E não é que eu me casei com o rapaz, no dia 18 de maio de 72, data escolhida pelo Roberto porque naquele dia ele estaria em São Paulo? E ele até me pediu que eu me atrasasse para que desse tempo dele chegar na Igreja. Ele chegou com toda pompa. Eu entrei na Igreja de Santa Teresinha, uma Igreja que a Nice freqüentava muito, de braço com meu pai e no meio da nave central o Roberto me pegou e me levou até o altar. Eu me casei no dia, no mês e com a pessoa que o Roberto Carlos escolheu.

* Você falou da homenagem que ele fez para você durante a temporada do show “Romântico”, antes de cantar “De tanto amor”. Qual foi a sua reação ao assistir ao show?
CS – Já tinham me falado que o Roberto fazia essa homenagem, e confesso que fiquei surpresa pois já havia muitos anos que eu tinha gravado a música. Na época eu também estava fazendo um show de lançamento do meu disco, e a coincidência e de que em todas as cidades que eu ia, o Roberto tinha se apresentado e todos comentavam que no show ele falava do presente que eu tinha dado a ele e ao Erasmo com o sucesso da minha gravação. Mas eu queria ouvir pessoalmente e quando ele se apresentou no Rio fiz questão de ir ao Metropolitan, hoje ATL-Hall. Quando ouvi, fiquei meio boba, sem acreditar no que estava escutando. Naquele dia, ele me fez uma dupla homenagem porque também falou que eu estava presente na plateia. Eu tinha acabado de lançar um disco, que se chama “Como é grande o meu amor por vocês”, em que regravei “De tanto amor”, e aquelas palavras do Roberto aumentaram a vendagem do disco. Essa regravação tem uma outra passagem muito bonita do Roberto Carlos. Ele estava passando aquela fase muito difícil de sua vida com a Maria Rita no hospital e a minha gravadora, Som Livre, tinha mandado várias vezes um fax pedindo autorização para a regravação. Acabaram me contando que um dia ele parou e disse: “Eu tenho que liberar alguma coisa que a baixinha está pedindo”. Aí ele liberou a regravação a música.

* Quando você foi ao ATL-Hall, você esteve com ele depois do show?
CS – Fui ao camarim e conversamos muito. Eu já estava pensando nesse disco que estou lançando agora, de voz e piano, e queria regravar “Não quero ver você triste” e “Você”, e perguntei se ele autorizaria. Ele disse que poderia gravar tudo o que quisesse, que nem precisaria pedir. Aliás eu sou muito feliz porque em todas as vezes que vou aos seus shows ele me recebe no camarim. É um momento em que ninguém proíbe a minha entrada e contesta o que tenho que falar com ele. Não há segurança, secretariado nenhum que impeça o meu contato com Roberto Carlos.

* Você conhece as duas gravações do Roberto Carlos para “De tanto amor”, a de estúdio, em 71, e a de 98, ao vivo. Qual a sua preferida?
CS – A gravada ao vivo, Roberto está hoje num amadurecimento enorme. É o momento mais bonito da voz dele. Sei que ele está mais sofrido, mas está cantando como nunca. Eu acho que até o sofrimento ajuda demais no amadurecimento e noto que quase todas as músicas do Roberto falam de um amor doído. Talvez esse momento triste e delicado de sua vida pessoal o tenha ajudado a cantar de uma forma ainda mais bonita. Para mim é o seu melhor momento musical.

* Você nunca pensou em gravar um disco só com músicas de Roberto Carlos?
CS – Eu persigo isso há muito tempo e sei que o momento vai chegar. A minha identificação musical com o Roberto Carlos é muito forte. As pessoas me conhecem por causa das músicas dele, e sei que ele também gosta muito das minhas interpretações. É um sonho que já tentei realizar mas as gravadoras nunca me permitiram. Entretanto, eu tenho certeza de que um dia irei realizar esse projeto.

* Quais as músicas de Roberto Carlos que você já gravou?
CS – “Como é grande o meu amor por você”, “Não quero ver você triste”, “As flores do jardim de nossa casa”, “Proposta”, “De tanto amor” e “Você”.

* De todas essas músicas, só “De tanto amor” foi feita para você?
CS – Eu também fui a primeira a gravar “Você”. Eu estava entrando numa nova gravadora, a Odeon, e queria uma música inédita dele para lançar o meu disco. Ele estava fazendo um show em Belo Horizonte e me passou “Você” por telefone. Depois ele voltou a me ligar para acrescentar alguns trechinhos e sempre me deixou à vontade para fazer a leitura que bem entendesse da música. O Roberto nunca deu opinião de como eu deveria gravar suas canções, sempre respeitou muito o meu estilo de cantar. Eu já tinha gravado “Proposta” para aquele disco, mas queria uma inédita. Então combinei com a direção da Odeon que se ele me mandasse uma música nova eu não lançaria “Proposta”. Acabou que ele mandou “Você” e me autorizou também a lançar “Proposta”.

* Você já gravou algumas músicas de grandes compositores da MPB. Qual a diferença entre eles e Roberto Carlos?
CS – As músicas do Roberto tocam no coração, ele canta o amor doído. O Taiguara, que também marcou a minha carreira, já falava de um amor cortante, com raiva. O Roberto sempre teve uma identificação comigo porque essas músicas são líricas, a maneira como eu sempre gostei de cantar.

* Tem mais alguma música dele que você gostaria de gravar?
CS – Tem uma que acho a música mais linda que já ouvi, que é “Eu te amo tanto”. É uma das maiores declarações de amor, de uma forma musical, que eu conheço. Já cheguei a cantá-la em shows e sonho um dia poder gravá-la. É um privilégio alguém ser homenageada com aquela letra, com aquela melodia. Acho difícil ele autorizar e se ele nunca a liberar eu vou entender perfeitamente porque eu sei que ela é uma composição muito íntima totalmente baseada em seu amor por Maria Rita.

* A Daniela Mercury também gravou “De tanto amor” recentemente. É verdade que Roberto Carlos não deixou que a gravação entrasse na novela “Laços de Família” para não atrapalhar a divulgação da sua música?
CS – Isso eu li no jornal, não sei se é verdade. Quando eu regravei “De tanto amor”, no disco “Como é grande o meu amor por vocês”, a Daniela Mercury também gravou e a Globo tinha escolhido a gravação dela para a novela “Laços de Família”. Eu li que o Roberto não autorizou porque sabia que a massificação que a Globo iria fazer atrapalharia a divulgação do meu disco. Então, a Daniela teve que gravar “Como vai você”. Pode até ter sido verdade porque o Roberto sempre me protegeu muito, é um dos meus grandes anjos da guarda.

* Alguma vez você teve dificuldade para ter músicas liberadas pelo Roberto Carlos, já que alguns cantores estão tendo este problema?
CS – Nunca. Nesse disco em que regravei “Você” e “Não quero ver você triste”, a gravadora não acreditava que ele fosse liberar, e no entanto foram das primeiras músicas liberadas para o CD. Até concordo que ele não libere certas canções que fez antigamente porque faziam parte de seu processo de evolução como compositor. Não é que o Roberto despreze músicas como “Quero que vá tudo pro inferno”, mas isso foi uma época da sua vida. Roberto passa hoje por uma nova fase de espiritualidade. Mandar tudo pro inferno era muito bonito nos anos 60, num período de contestação, hoje ele pensa diferente, entrou num outro ciclo de religiosidade em sua vida. Eu já não gravaria “Quero que vá tudo pro inferno” nos anos 60 e muito menos agora.

* Quando foi a última vez em que vocês estiveram juntos?
CS – Foi na missa celebrada pelos seus 60 anos, na Urca. Eu fui até a Igreja, cheguei perto dele e percebi que ele levou um susto por me ver ali. Ele me deu um beijo muito carinhoso no rosto, e eu disse que tinha ido apenas para rezar por ele.

* Nesse disco que você está lançando você regravou duas músicas do Roberto Carlos. Não pensou em nenhuma canção dele que ainda não tinha gravado anteriormente?
CS – Não, isso eu deixo para quando fizer um projeto só com suas canções, porque vou ter que fazer um estudo da obra dele com mais calma.

* Como você define Roberto Carlos?
CS – Um grande anjo da guarda da minha vida. Tenho certeza de que Jesus o mandou para me proteger. Minha carreira se divide em antes e depois de eu gravar “De tanto amor”. Ela se centraliza nessa música. A cantora Claudette Soares passou a existir nacionalmente a partir dessa gravação. Mesmo não nos vendo muito, até hoje eu tenho uma relação de grande amizade e afetividade com Roberto Carlos. Nós temos uma ligação espiritual muito grande, ele sempre está me protegendo espiritualmente. Meu ciclo musical começou com Roberto Carlos e tenho certeza que terminará com ele. Se meu sucesso sobreviveu de 1972 até hoje, devo isso a Roberto Carlos.


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