ROBERTO CARLOS
entrevista coletiva
no Projeto Emoções em Alto Mar 2011
14.02.2011




Há sete anos Roberto Carlos embarca com seus fãs no “Projeto Emoções em Alto Mar”. Desta vez foi no navio Costa Serena. Na tarde do dia 14 de fevereiro, ele recebeu a imprensa para uma coletiva no navio que estava ancorado no Píer Mauá, no Rio, e o Grupo Um Milhão de Amigos estava lá. Uma coletiva diferente, pois alguns fãs sortudos participam desta emoção.

* Você é um homem que conhece a fama, o sucesso e o amor, uma das pouquíssimas personalidades que têm o privilégio de ser homenageado em vida por uma Escola de Samba, o que vai acontecer nesse carnaval com a Beija-Flor. Há alguma coisa que você ainda não realizou, e que ainda gostaria de realizar?
*RC* Eu estou sempre tentando realizar alguma coisa, apesar de já ter realizado muitas em minha vida. Também consegui superar muitos problemas, mas eu não sei dizer exatamente o que eu ainda quero realizar. O que eu posso dizer é o que eu quero continuar fazendo, que são as canções de amor. Ainda quero fazer um dia uma canção de amor que fale do amor de uma forma que ainda não consegui falar.

* Você está apaixonado?
*RC* Não.

* Roberto, a gente sabe da sua relação intensa com as músicas românticas e com o rock-and-roll. Como é sua relação com o samba?
*RC* É uma boa pergunta. Eu sempre tive uma relação muito boa com o mundo do samba, mas ela aumentou muito desde a primeira vez que resolvemos trazer a Beija-Flor para o “Projeto Emoções em Alto Mar”. Sempre gostei de samba, por isso resolvemos trazer a escola para os cruzeiros. Com certeza isso aumentou essa relação, que se torna agora mais intensa e mais forte com essa homenagem que a Beija-Flor vai fazer.

* O “Projeto Emoções em Alto Mar” já faz parte de seu trabalho, e temos a informação que uma réplica do seu iate, Lady Laura, estará na Avenida. O que você poderá levar para a Avenida dessa experiência do Projeto Emoções?
* RC* Levar essa experiência para a Avenida é difícil, pois o que acontece no cruzeiro não dá para mostrar em um desfile de carnaval. O que será mostrado na Avenida não é o Lady Laura, mas uma amostra dos navios dos cruzeiros, dos navios da linha Costa, mas colocar tudo isso no Sambódromo é difícil porque são muitas emoções. O objetivo da escola é dar a ideia das coisas importantes na minha vida, e com certeza o “Emoções em Alto Mar” está incluído nisso.

* Você já consegue dimensionar o que sentirá quando entrar na Sapucaí?
*RC* Isso me preocupa muito. Não quero chorar no desfile porque carnaval é alegria, não é lugar de choro, mas tenho certeza de que vou me emocionar. Já me emocionei outro dia quando visitei a quadra da Beija-Flor, e fico só imaginando quando entrar na Avenida.

* Como você pode explicar uma carreira de tanto sucesso, mais de 50 anos de carreira e cerca de dois milhões de discos vendidos?
*RC* Eu não sei explicar muito bem todo esse sucesso, só sei que trabalho muito, me dedico muito a tudo que envolve a minha carreira, mas é muito difícil explicar tudo isso.

* Você acha que todo esse sucesso é porque você é um artista sincero que canta com o coração?
*RC* Eu sempre digo que penso como o povo, e isso ajuda muito, cantar o que toca no coração das pessoas. Quando faço uma canção que eu gosto, eu fico mais feliz quando percebo que meus fãs também acabam se identificando com ela. Pensar como as pessoas pensam é uma das coisas que têm me ajudado muito ao cantar.

* Como você sente ao cantar no Chile? O que acha do público chileno? (nr: pergunta de uma repórter da Eurovisión, de Santiago do Chile)
*RC* Nós nos amamos muito. Os chilenos são muito carinhosos e sempre me tratam muito bem.

* Como você define as suas participações no Festival de Viña del Mar?
*RC* Foram noites maravilhosas, porque é um dos festivais mais importantes do mundo latino-hispânico. Estou contente porque nos próximos dias eu estarei novamente me apresentando no Festival de Viña del Mar.

* Roberto, este ano você vai fazer uma excursão a Terra Santa. Você já conhece a Terra Santa? Esse projeto pode reforçar sua fé?
*RC* Eu estive poucos dias em Jerusalém, nos anos 60, para filmar “Roberto Carlos e o diamante cor de rosa”, isso quando eu era menino. Foi uma experiência muito boa, mas fiquei pouco tempo porque tinha ainda que filmar no Japão. Não sei se eu preciso renovar a minha fé, mas certamente estar em Jerusalém, na Terra Santa, nos lugares onde Jesus pregou, renova a fé de qualquer pessoa. Vai ser uma coisa maravilhosa.

* Você fez o roteiro dessa viagem?
*RC* Roteiro, bicho, eu só sei fazer de shows. O roteiro da viagem é coisa do Dodi.

* Você já se recuperou do problema no joelho que teve dias antes do show em Copacabana? E como está a sua preparação física para o Carnaval?
*RC* Em primeiro lugar eu volto a dizer que não caí da moto, eu não levei um tombo como foi divulgado. Eu estava andando de moto e quando fui descer pisei de mau jeito em um terreno acidentado, e acabei trincando o nervo ciático. Eu não abandonei a moto, eu continuo andando nela, paixão a gente não larga. Em relação à minha preparação física para o desfile está indo bem. Estou me cuidando, fazendo exercício, dando uma marombadazinha. Eu não quero fazer feio na Avenida.

* No final do ano, na coletiva do lançamento do cartão de crédito, você falou que só vai lançar o disco de inéditas se ele estiver do jeito que você gosta. Mas se não tiver esse tão esperado disco, você pretende lançar algum CD ou DVD no final do ano?
*RC* O disco de inéditas é um CD que quero muito fazer. Há três anos que venho tentando, mas o Dodi está sempre me arrumando mais trabalho, e esse plano vai sendo adiado. Eu quero muito gravar este ano, mas eu só vou lançá-lo se ele ficar como eu quero. Se não ficar pronto, a gente deixa para o ano que vem. É importante que fique do jeito que eu posso abandoná-lo. Eu sempre digo que um disco nunca está pronto, eu entrego à Sony no momento em que não aguento mais ficar trabalhando nele. Mas eu não quero nem pensar no que pode ser lançado no final do ano se ele não for lançado.

* Roberto, esse ano você vai completar 70 anos. Vai ter alguma comemoração especial?
*RC* Pó, bicho, lá vêm vocês com essa história! Eu tinha até me esquecido, isso não é hora de me lembrar dessas coisas! Agora sério, não vai ter nenhuma festividade especial programada, mas alguma coisa que possa distrair o público com relação a minha idade eu devo fazer.

* Alguns artistas tem cantado ao vivo em discos importantes de suas carreiras. Você pretende fazer isso com algum disco antigo? E que disco seria esse?
*RC* Não tenho pensado nisso, mas quem sabe de repente acontece?

* Como aquele garoto que saiu de Cachoeiro de Itapemirim convive hoje com os problemas que teve na vida?
* RC* Problemas a gente sempre tem, e estamos sempre tentando superá-los. A diferença de hoje para aquele menino que teve uma infância pobre em Cachoeiro é o lugar de chorar. Antigamente eu chorava em uma casinha em Cachoeiro, hoje eu choro em uma casa confortável ou no navio. Uma vez fizeram uma pergunta parecida com essa para a Sophia Loren, e ela disse que os problemas só mudavam de endereço; o choro é o mesmo.

* Você está ou não namorando?
*RC* Não estou.

* No ano passado eu perguntei as três melhores coisas de sua vida, e você me respondeu: sexo, sexo com amor e sorvete. Hoje eu pergunto quais são os três maiores medos de sua vida.
*RC* Vou dizer dois, calvice e velhice. O terceiro... imaginem o que vocês quiserem.

* Há alguns anos você regravou “A volta” e “Promessa”, que foram lançadas nos anos 60 pelos Vips e pelo Wanderley Cardoso. Você pensa em regravar “Meu grito”, que foi gravada pelo Agnaldo Timóteo?
*RC* Às vezes eu penso, mas fica difícil regravar depois da interpretação maravilhosa feita pelo Timóteo. Ainda não chegou a hora.

* Com tantas emoções em sua vida, dá para escolher um momento especial?
*RC* É difícil falar disso, porque já tive emoções maravilhosas em minha vida, A Jovem Guarda, o Festival de San Remo, os nascimentos dos meus filhos, os próprios cruzeiros. Não dá para citar uma, mas são tantas emoções, bicho...

* Você tem planos de voltar a Portugal?
*RC* Parece que ano que vem tem um projeto de me apresentar em Portugal.

* Recentemente você foi receber o troféu do Jorge Perlingeiro e foi ao ensaio da Beija-Flor. Você está mais sociável?
*RC* De vez em quando eu tenho esses impulsos. Eu fiz questão de ir ao prêmio do Jorge Perlingeiro porque ele é um cara muito querido, e o seu pai, Aerton Perlingeiro, foi uma pessoa que me ajudou muito no programa “Almoço com as estrelas”. Sobre o ensaio da Beija-Flor, foi apenas uma forma de agradecimento pelo que a escola está fazendo por mim.

* Você fez algum pedido à Beija-Flor em relação ao carro que vai desfilar? E já decorou o samba?
*RC* Eu sei o samba, mas fica complicado eu cantar uma música que me homenageia, é um pouco delicado e constrangedor. Quem tem que cantar é o Neguinho, os passistas e o público nas arquibancadas. Sobre o carro, eu não fiz nenhum pedido especial, nem sei quantos metros de altura tem, só espero que não tenha 13 metros. Em relação ao desfile, eu tive algumas reuniões com o pessoal da escola, e dei uns palpites, mas nenhuma imposição.

* Quem é a sua musa inspiradora?
*RC* Como sempre, a vida.

* Você pretende assistir aos desfiles das outras escolas de samba, ou vai ao Sambódromo apenas para desfilar?
*RC* Eu gostaria muito de assistir ao desfile das outras escolas, principalmente aos da segunda-feira, dia em que vou desfilar, mas eu estou preocupado porque a Beija-Flor vai ser a última, e não quero entrar na Avenida cansado. Estou pensando nisso.

* Há alguns anos você lançou o CD “Duetos”, e você tem um rico material de duetos dos Especiais da Globo, verdadeiras obras da Música Popular Brasileira. Você pretende lançar outros duetos?
*RC* Eu tenho um material muito grande desses duetos dos Especiais. Já tem um CD pronto. Quem sabe se ele não pode ser lançado se não sair o CD de inéditas?

* A dificuldade de terminar esse CD de inéditas tem a ver com falta de inspiração?
*RC* Não, eu já tenho muitas músicas prontas, tenho um material que dá até para fazer dois discos.

* Você tem alguma pretendente específica?
*RC* Não, eu tenho ouvido muita conversa por aí sobre esse assunto, mas é tudo boato.

* Você tem acompanhado o Big Brother, já que você gosta do programa?
*RC* Não tenho acompanhado como eu gostaria, nem o Big-Brother e nem a novela “Insensato coração”. Estou quase todo o tempo no estúdio. Tenho visto muita coisa, não tudo, mas ainda não dá para torcer por ninguém no Big Brother.

* Novamente em relação à Beija-Flor, o que você está gostando mais: do samba, das fantasias ou dos carros alegóricos?
*RC* Eu estou gostando de tudo, porque vai ser uma das maiores homenagens que já tive em minha vida. Eu já fui enredo da Unidos do Cabuçu, em 87, que também foi maravilhoso, uma emoção fantástica, mas desta vez será diferente porque a Beija-Flor é a minha escola do coração. Estou gostando de tudo.

* O que você escuta em casa no momento de lazer? Você navega muito na internet?
*RC* Eu gosto muito de ouvir o que toca nas rádios, porque é muito importante ficar por dentro do que está fazendo sucesso. Isso é sempre uma referência do que tenho que fazer, mas não exatamente naquele estilo. Ouvir os outros faz com que eu esteja sempre aprendendo. Eu me ligo em todo tipo de música, todo tipo de tendência: rock, samba e forró. É sempre importante saber se o que estou ouvindo pode me ajudar a compor. Sobre a internet, eu tenho um site coordenado pela minha equipe, mas não costumo viajar muito porque pode me pirar.

* Como é que você pode descrever a emoção do show em Copacabana, e como foi a sensação de cantar com a Paula Fernandes?
*RC* A Paula Fernandes foi escolhida pelo seu talento, pela participação que teve no “Emoções Sertanejas”. Ela tem uma voz toda especial, marcante e foi por isso que resolvemos convida-la para o Especial de fim de ano. Com certeza ela correspondeu a todas as expectativas e o resultado foi muito bom.

* Qual a diferença de fazer um show no navio ou em terra firme?
*RC* O navio tem uma coisa toda especial, primeiro porque ficamos quatro dias sob o mesmo teto. É uma sensação muito boa, sinto uma intimidade muito grande com a platéia. E às vezes dá para encontrar com as pessoas no cassino e nos shows de outros artistas que se apresentam aqui. É claro que não dá para ficar o dia todo circulando. Ao cantar aqui tenho a sensação de estar cantando na sala da minha casa ou na sala da casa de alguma pessoa, em uma intimidade total. Eu que já fico muito a vontade com o meu público, aqui sinto mais ainda.

* Nesse disco de inéditas você retoma a parceria com Erasmo Carlos?
*RC* Essa parceria nunca esteve perdida porque nunca sumiu. Sempre digo que Erasmo é meu amigo de fé, meu irmão camarada, continuamos amigos e compondo juntos. Nesse disco vai ter algumas canções só minhas e algumas parcerias com ele.

* Chegando aos 70 anos, você pretende lançar alguma biografia, já que você tem muita história para contar?
*RC* Eu penso em lançar uma biografia, não escrever mas colaborar com alguém que vai escrever, e quero que o Okky de Souza seja o autor. O que pretendo é colaborar contando coisas que ele não conhece.

* Roberto, você já disse que não tem nenhuma pretendente, mas relembrando a música que você cantou na praia com o Exaltasamba, “Fugidinha”, qual seria o estilo?
*RC* A mulher brasileira é tão bonita, tão maravilhosa, com uma sensualidade incrível que é difícil dizer com quem daria uma fugidinha. É tudo muito relativo, essas coisas dependem muito do que uma pessoa causa à outra.

* O governo brasileiro está querendo rever a questão da legislação que proíbe biografias não autorizadas. Se for aprovada, você pretende continuar lutando contra a publicação do livro do Paulo César Araújo?
*RC* Eu sou radical em relação a isso, e não vou mudar minha opinião em relação a esse livro.

* Como ficou o projeto de um novo filme, que seria feito pela Monique Gardenberg?
*RC* Chegamos a conversar sobre isso, mas a conversa não foi adiante. Eu nem sei dizer ao certo porque não avançou, mas isso não quer dizer que não voltemos a conversar sobre o assunto.

* O que poderemos esperar nesse disco de inéditas, já que nos seus Especiais você tem cantado funk, samba e até em italiano no navio?
*RC* Eu procuro variar um pouco os ritmos nos meus CDs. Ele tem uma variedade razoável de ritmos, mas sempre do meu jeito, adaptado a minha forma de cantar. Certamente será um disco romântico, mas com ritmos diferentes. Eu não vou gravar um funk, mas quem sabe um “funkinho”?

* Qual critério você usa para escolher os convidados de seus Especiais?
*RC* Não existe um critério específico, eu escolho dentro de uma ideia do que pode acontecer nesse nosso encontro. Quando resolvi convidar o MC Leozinho houve muita gente que ficou surpresa, e foi aquele sucesso todo.

* Qual a música que não sai de sua cabeça?
*RC* É difícil dizer, mas o “Fugidinha” e o samba da Beija-Flor são músicas que estou sempre cantando atualmente.

* Qual a sua posição sobre a nova lei de direitos autorais?
*RC* É uma questão muito complicada, e eu não estou de acordo com parte dela. Não é concebível nós, compositores, não termos o direito total da nossa obra. Isso tem que ser visto com muito cuidado, porque eu tenho o direito de fazer com a minha música o que eu quero, e não o que os outros querem. Eu discordo de muitos pontos do projeto. Eu estou acompanhando e esperando a hora de tomar uma posição.

* Recentemente a Paula Fernandes disse que não teria nenhum problema em namorar uma pessoa da sua idade. E você?
*RC* Nenhum, bicho, eu não tenho nenhum preconceito. Esse conceito de um homem mais velho namorar uma mulher mais nova é bobagem. Eu já conheci mulheres de 20 anos, e meninas de 50.

* Nesse disco de inéditas pode ter outras parcerias?
*RC* Só tem a parceria com o Erasmo. Pode ser que eu venha a fazer canções com outros compositores, mas esse não é meu pensamento no momento. Agora, sobre participação em algum dueto eu não estou pensando nisso.

* Você já disse que tem medo da velhice. O que o dinheiro pode fazer para que você possa driblar os 70 anos?
*RC* Eu sinceramente não me sinto com a minha idade, não sinto mesmo. Agora, o que o dinheiro pode ajudar para eu driblar os 70 anos? Tudo!!! Você pode ter a certeza de que eu vou fazer tudo que o dinheiro permitir. Eu vou usar o que tiver que usar para que esse negócio (70 anos) não seja notado.

* Como é o seu ritual antes dos shows? Você tem alguma mania?
*RC* Mania você pode ter certeza de que não tenho quase nenhuma. Meu negócio é TOC. Agora estou um pouco melhor. Eu gosto de me alimentar três ou quatro horas antes do show, sempre no camarim, fazer exercício de voz, passo o som com a banda, rezo antes de entrar no palco. Mas não tenho grandes rituais.

* Roberto, hoje o Ronaldo anunciou sua despedida do futebol. O que você teria a falar para ele?
*RC* O que eu posso dizer é obrigado, Ronaldo, por todas as emoções fantásticas que você nos proporcionou. Por todos os gols, por todas as jogadas que você fez que com certeza emocionaram a todos nós. Obrigado por todas as alegrias. Quero te desejar tudo de bom, e que Deus o abençoe sempre.

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