ROBERTO CARLOS
entrevista coletiva
no Projeto Emoções na Praia do Forte (BA)
16.02.2017




Este ano, Roberto Carlos inovou o seu Projeto Emoções.
Ao invés do navio e sair em alto mar,
RC convidou seus fãs para curtir com ele uns dias de lazer na Praia do Forte,
e como ocorre todos os anos, ele recebeu a imprensa para a coletiva.
Com a colaboração dos amigos Maurício Aires, Rogério Alves, assessores de imprensa do Roberto Carlos,
e da integrante do nosso grupo, Adriana,
vocês vão saber o que o nosso Rei falou nesse encontro.
Mas, antes da coletiva, RC teve um rápido encontro com a imprensa,
no primeiro dia do Projeto Emoções na Praia do Forte,
antes de passar o som no palco, onde faria o primeiro show.

* Como está sendo fazer um projeto em um resort, o que está sendo diferente para você?
RC – Tudo é diferente, mas eu não posso dizer o que foi ou o que está sendo diferente do navio porque estamos começando hoje. No final, eu vou poder dizer o que foi diferente do navio, o que senti. Mas estou muito contente com esse projeto, ele foi muito bem recebido pelo público, e isso é muito importante para mim.

* No navio, você conseguia aproveitar, ia ao cassino, dava uma volta. Aqui, você pretende aproveitar de alguma forma, vai à praia?
RC – Não isso não dá para fazer, complica um pouco.

* O que os fãs poderão ver de especial no show aqui na Praia do Forte?
RC – A gente está sempre colocando algumas coisas novas no show. Não é um show totalmente novo, mas com algumas novidades, umas músicas diferentes, textos diferentes. Os meus shows estão sempre evoluindo, há sempre pequenas diferenças.

* É a primeira vez que te vejo de boné.
RC – De vez em quando eu uso, até já fotografei de boné para capas de discos, mas hoje é porque o cabelo está meio desarrumado.

* Você pretende fazer alguns passeios pelo resort?
RC – Como eu disse fica meio difícil, mas devo prestigiar o show do Tom Cavalcante e entregar o prêmio no karaokê.

* Cantar na Praia do Forte é especial?
RC – Com certeza é especial, esse visual inspira. Hoje mesmo, quando acordei, abri a janela e vi esses coqueiros, o mar, que é radiante. Aqui é tudo lindo, é muito prazeroso. Aliás, é sempre muito prazeroso cantar na Bahia, desde o início da minha carreira. Todo brasileiro ama a Bahia.

* E no ano que vem, qual será a novidade?
RC – Não sei, ainda vou criar.

VAMOS AGORA AO PRIMEIRO TRECHO DA COLETIVA:

RC – Boa tarde para todos, obrigado pela presença, obrigado por tudo isso e estamos aqui para conversar um pouquinho. Enfim, vamos ver o que eu vou dizer para vocês, e o que vocês vão me perguntar. Mas é um prazer estar aqui com vocês, obrigado a todos os jornalistas presentes, enfim, todos os que fazem parte dessa arte. Vamos lá!

* Você vinha falando que iria lançar um livro sobre sua vida, sua carreira, e no ano passado veio a novidade do filme. Você acha que um filme dará a mesma relevância à sua história do que um livro?
RC - Nós resolvemos lançar o filme antes do livro, mas o livro sairá logo em seguida. Na verdade, o livro vai contar a mesma história do filme, e o filme vai ser a mesma história do livro, então não vai ter nenhum problema. Talvez o livro seja um pouco mais extenso nas informações, nas explicações, mas, de qualquer forma, eu acho que o filme é muito mais importante nesse momento. Eu não, nós achamos (nr. Roberto e Dody). O Nelsinho Motta e o Breno Silveira já têm uma equipe empenhada nisso. Vamos fazer um filme bacana e contanto realmente toda a verdade da minha vida.

* Depois de 12 anos fazendo o show no navio, você, pela primeira vez, faz esse projeto em terra. Existe alguma diferença? O que terá de novidade?
RC – A única diferença desse Projeto Emoções é que não estamos no mar, não estamos no navio, estamos em um resort. Mas é basicamente o que eu venho fazendo ao longo desses 12 anos do Projeto Emoções, que vem agradando as pessoas. Eu estou muito contente com esse projeto, muito contente com o que vem acontecendo aqui. Acho que as pessoas que já foram ao navio estão aproveitando essa nova experiência, enfim, basicamente essa é a diferença. Em relação ao show, tem sempre pequenas novidades. Todo ano eu mexo em algumas coisas, coloco umas músicas, tiro outras, até que em dois ou três anos ele acaba sempre ficando diferente da estreia. Mas tem sempre algumas músicas básicas, como Detalhes, Emoções, Jesus Cristo, que não posso tirar porque as pessoas reclamam.

* São verdadeiras as notícias de que você está fazendo uma música nova para a próxima novela da Globo? Será que essa música tem a ver com algum amor?
RC – Eu só não entendo o que tem a ver música nova com estar amando, mas é verdade sim que fiz uma música para a próxima novela. Eu tive uma conversa com a Glória Perez, que pediu uma música para a personagem da Isis Valverde. Eu fiquei preocupado porque nunca fiz uma música sob encomenda, sempre faço música sob inspiração, coisas que vejo, coisas que sinto, uma cena, uma frase, enfim, alguma coisa que me motiva a fazer. Agora, fazer uma música diretamente a um personagem foi a primeira vez. Por isso eu demorei muito, fiquei pensando muito, até que chegou um dia em que tinha que começar. Não podia perder esse emprego. Perder a oportunidade de estar em uma novela, só doido. Já que a Glória Perez me deu esse emprego, eu não podia jogar fora a oportunidade. Sentei ao piano e em uma semana fiz a música, já fizemos o arranjo, já coloquei a voz. Fiquei muito contente porque a Gloria e o Marcelo Kielling foram ao estúdio, ouviram e aprovaram a música. A Sony também gostou, o Paulo Junqueiro aprovou e já colocou pressão para lançá-la em single. Com tudo isso, fiquei contente por continuar no emprego.

* A música já tem nome?
RC – A princípio deve se chamar “Sereia”, que é o nome da personagem da Isis Valverde.

* Eu tenho uma foto de um show aqui, em Salvador, você cantando com o “Raulzito e seus Panteras”, a banda de Raul Seixas. Como foi aquele show e seu contato com Raul Seixas?
RC – Nossa, isso é antigo, mas me lembro bem. Foi uma maravilha. Estava começando a minha carreira, e na época eu não tinha banda. Quando viajava, eu cantava com uma banda da cidade. Foi muito legal, porque antes do show fui ensaiar na casa do Raul, foi algo inesquecível na minha vida. Ele foi muito carinhoso, muito atencioso, e muito competente, o que sempre foi.

* Você daria uma chance para Jeniffer Lopez fazer uma turnê com você?
RC – Eu que tenho de saber se ela me daria uma chance de fazer uma turnê com ela!

* Uma fã me pediu para perguntar se seu pijama também é azul.
RC – Eu não durmo de pijama, eu durmo de camiseta, mas é branca.

* E você dorme de meias?
RC – De jeito nenhum.

* Qual a possibilidade de um encontro com Maria Bethânia?
RC – Eu já tive vários encontros com a Bethânia em meus especiais de fim de ano, acho que umas duas ou três vezes, e todos foram maravilhosos. Eu sou fã incondicional da Bethânia. Ela tem uma voz, um timbre, uma maneira muito especial de cantar. Eu sempre digo que Bethânia é simplesmente Bethânia. Venho pensando muito em outro encontro com ela no meu especial. Quem sabe este ano? Espero que ela aceite.

* Este ano o Tropicalismo irá completar 50 anos, e certa vez Erasmo disse que o Tropicalismo entendeu a Jovem Guarda. Qual o apanhado que você faz desse legado?
RC – O Tropicalismo foi muito importante, e o principal é que não havia nenhum preconceito. Eles sempre aceitaram a nossa música, que era muito questionada por outros grupos, e sempre foram muito amáveis. Eu sempre agradeço ao Caetano, ao Gil e a todos os tropicalistas por aceitarem a Jovem Guarda sem nenhum tipo de preconceito.

* O encontro com a Jennifer Lopez, foi só música, ou teve algum clima entre vocês?
RC – Foi só música, quem ensinou a ela o português não fui eu. Eu tive que retornar ao Brasil, e ela ficou estudando a versão que fiz para a música com uma professora de português que ela conhecia. Eu não tive a oportunidade de ensinar o português. Que pena!

* Para os baianos, receber um projeto como esse é especial. O que fez você trazer esse projeto para a Praia do Forte? E você tem vontade de retornar nos próximos anos?
RC – Por causa da crise financeira ficou inviável fazer o projeto este ano no navio. Pensamos em vários lugares e escolhemos a Bahia. Eu fico muito contente como estamos sendo recebidos pelos baianos. Na realidade, não é um privilégio da Bahia estar nos recebendo; é um privilégio nosso estar na Bahia. Mas eu já adianto que no ano que vem o Projeto Emoções em Alto Mar estará de volta, mas quem sabe se não iremos voltar à Bahia depois do navio?

* O seu primeiro trabalho em disco foi “Louco por você”. Depois dele quantos álbuns você lançou?
RC – Na verdade, o “Louco por você” foi o primeiro LP. Eu já tinha lançado antes, pela Polydor, o disco com “João e Maria” e “Fora do tom”. Sobre o número de álbuns que lancei, sinceramente eu não sei. Tem discos lançados aqui e lá fora, então eu perdi a conta.

* Qual o mais importante?
RC – É difícil falar sobre o mais importante, porque tenho um carinho por todos. Mas talvez o mais significativo foi o que tem a música “Os seus botões”, que estou de branco, com um chapéu na capa porque foi a minha primeira marca de um milhão de discos. Foi algo muito importante na minha vida.

* O que você faz nas horas vagas nesse resort?
RC – Descanso, vejo televisão, almoço, janto, faço entrevistas coletivas. Para sair e desfrutar das coisas belas desse resort não dá. Eu durmo bastante para a voz estar legal.

Dody Sirena – O Roberto vai ter esses dias para inspiração de novas músicas, para entregar o novo disco para a Sony, e o disco espanhol que ele vai preparar para a turnê do ano que vem no mercado latino. O Alex e a Marta, que comandam a carreira do Roberto na Sony no mercado latino, vieram de Miami para acertar tudo e estão aguardando o disco espanhol do Roberto para trabalhar. Com isso, esperamos que ele tenha todo o tempo possível para se inspirar em novas músicas, além da música da novela que será lançada.
RC – Vocês estão vendo a pressão. E você ainda pergunta o que eu faço no apartamento. É isso, tenho que pensar em música, na próxima música, no próximo disco, no projeto, então isso me ocupa muito. Mas o Dody é o rei da pressão.

* A Escola de Samba Vila Maria, em São Paulo, fez um enredo sobre os 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida, e você liberou para a escola um trecho de “Nossa Senhora”. Você gostou do tema?
RC – Eu acho que é válido, desde que seja feito com respeito. Por isso liberei o pedaço da música que eles pediram. Vai ser muito bonito, e eles estão fazendo um desfile com muito respeito.

* O que você irá fazer no carnaval?
RC – Eu vou passar no estúdio trabalhando nessa pressão que o Dody e o Paulo Junqueiro me fizeram de lançar um EP por causa da música da novela. Eu tinha que ir para os Estados Unidos, onde tenho algumas coisas para resolver, mas não vou mais. Vou aproveitar essa semana para trabalhar nesse EP, entregar para a Sony, para todo mundo ficar contente e eu também.

* Depois de Salvador, onde chega o show?
RC – Tem alguns shows no interior de São Paulo, e vou passar o meu aniversário em Lisboa.

* Você é engajado com as redes sociais?
RC – Acompanho lendo, mas não acompanho escrevendo. Eu gosto de ouvir e ver o que está sendo escrito para me atualizar com as coisas boas e com as brincadeiras. Tem muita coisa engraçada. Lá tem de tudo, mas tem tanta coisa engraçada que vejo, que é melhor ficar quieto.

* Pesquisando no Ecad, encontrei 510 registros de músicas suas como autor e cantor. Tem alguma música que você não registrou por não ter gostado do resultado?
RC – Eu acho que tudo o que eu fiz eu registrei no Ecad. Mas tem algumas coisas que eu gravei que não foram lançadas. Eu tenho algumas músicas gravadas, mas guardadas, que por alguma razão resolvi não lançar. Há alguns anos eu comecei a fazer um disco, onde gravei “A volta”, “Índia” e outras que não saíram, mas isso não impede que a qualquer momento eu lance essas músicas.

* Como você cuida da voz?
RC – Eu não sou muito de sair, de badalar. Sobre bebida, eu bebo socialmente, um vinho, um whisquinho, mas não sou de beber muito. Eu bebo moderadamente. Da voz eu cuido muito bem, faço os exercícios certos, aquecimento, gargarejo, faço tudo direitinho para continuar cantando direitinho.

* Depois de tantos anos de carreira e prêmios importantes, o que falta você conquistar?
RC – A cada passo que a gente dá, sempre fica a vontade de dar outro passo depois. Embora eu já tenha dado muitos passos na minha vida, realizado muitas coisas em minha carreira, eu ainda sou um sonhador, e quero fazer muitas coisas a mais na minha carreira, muitas músicas que não fiz, falar do amor que eu não falei. Eu já falei do amor de muitas formas, mas eu ainda quero descobrir uma forma diferente que eu ainda não falei para falar do amor em uma canção. Um dia ainda vou fazer essa música.

* Vários artistas já regravaram suas músicas. Tem alguma música sua que você gostaria que algum artista regravasse?
RC – Cada vez que um artista grava uma música minha, eu me sinto homenageado, e qualquer música minha gravada eu fico muito contente, porque é uma forma de reconhecer o meu trabalho, e tenho visto gravações muito bonitas. A própria Bethânia fez um disco maravilhoso que me deu um orgulho, uma honra muito grande. É sempre uma alegria quando vejo algum artista regravando minhas canções.

* Roberto, estamos vivendo um momento muito complicado no Brasil, com a operação Lava Jato. Até pouco tempo, ninguém conhecia Sérgio Moro, agora ele virou uma pessoa de referência. Qual a sua opinião sobre esse momento do país?
RC – Foi boa essa pergunta, porque quero aproveitar para esclarecer muita coisa que tem sido publicada a meu respeito. Como se eu estivesse apoiando determinadas pessoas, ou falado certas coisas a favor ou contra essas pessoas. É tudo mentira, eu nunca disse nada, e nunca apoiei ninguém nesse momento. Enfim é bom saber que eu nunca me manifestei se alguém deveria, ou não, continuar. Isso me aborrece muito, como aborreceu muito Gilberto Gil, que também foi envolvido nessa história mentirosa. Alguém que na internet faz coisas que não deveria fazer. Eu não sou a favor de ninguém, eu sou a favor da justiça, e sendo a favor da justiça eu sou a favor de Sérgio Moro. Ele realmente está fazendo um trabalho maravilhoso, de muita coragem, de muita consciência, de muito equilíbrio. Ele e todas as instituições que estão trabalhando nessa questão e mudando o Brasil, porque acho que o Brasil vai mudar. O meu apoio a Sérgio Moro.

* Além da parceria com a Jennifer Lopez, tem algum outro dueto à vista.
RC- Não, por enquanto não.

* Você está amando?
RC – Amando eu estou sempre, sempre amei, eu sou um amante. Eu sou um amante à moda antiga ou à moda moderna. Mas você quer saber se eu estou namorando? Não. Você quer saber demais.

* No final dos anos 60 e 70, você foi um dos precursores da soul music. O que você ouvia naquela época?
RC – Realmente, eu ouvia muito soul music, e quem me ajudou muito foi o Tim Maia, quando eu gravei “Não vou ficar”. Inclusive eu aprendi muito com ele, porque o Tim mostrou como era a batida da bateria, como era o baixo, como os músicos faziam nos Estados Unidos. Eu cheguei a achar até que eu era um cantor de soul music, mas quem sabia mesmo era o Tim, que foi um campeão nisso aí.

* Voltando ao filme da sua biografia, você tem preferência por algum ator para te interpretar?
RC- Nós ainda não temos nenhum ator escolhido; estamos procurando. O trabalho ainda está no início. Vou me reunir com a equipe para escolher. Não pode ser um cara muito alto e nem muito baixo.

* O Paulo César Araújo está anunciando o lançamento de um novo livro sobre você para este ano. Qual a sua posição?
RC – Eu não posso fazer nada ainda, pois não tenho nenhuma ideia do livro. Primeiro vamos ler o livro para saber o que ele vai dizer, espero que não seja como o primeiro.

* Há alguns anos se falou de você lançar um disco em chinês. Isso pode acontecer? E que mercado você ainda quer alcançar?
RC – Eu tenho vontade em gravar alguma coisa em chinês. É verdade! Quando ouço algumas canções em japonês ou chinês, eu tenho curiosidade em saber como seria a minha voz cantando nesses idiomas. Um dia vou experimentar. Em francês eu já gravei, mas pretendo voltar a gravar em italiano. Eu adoro cantar em italiano, e espero voltar a fazer um disco em italiano.

* Em um de seus primeiros especiais da Globo, você cantou com Dorival Caymmi. O que recorda desse momento?
RC – Foi um dia muito especial. O Caymmi era uma pessoa incrível, foi um dia maravilhoso. Inclusive nós cantamos juntos com o Sylvio Caldas. Foi um momento muito especial na minha vida, porque sempre ouvia os dois. Foi um momento inesquecível, “unforgettable”.

* Você disse que fez muita terapia para voltar a cantar “Quero que vá tudo pro inferno”? O que você mandaria hoje para o inferno?
RC – Essa é uma canção de amor, eu estava muito apaixonado, e com muita saudade da pessoa, e queria muito que ela me aquecesse no inverno. Muita gente pensa que é uma música de protesto, mas não, é uma canção de amor: “quero que você me aqueça nesse inverno, e que tudo mais vá......... isso aí”. Eu já estou fazendo muito em cantar no show. Mas, realmente, eu demorei muito tempo para voltar a cantar essa canção porque não gosto de falar essa palavra. Eu evito falar, mas quando eu canto eu tenho que falar. Mas foram tantas insistências que acabei me rendendo, e gostei de cantar de novo. Fiquei contente em estar novamente cantando essa música, e tem o lado muito positivo de passar por cima do TOC.

* E além do TOC, o que você mandaria para lá?
RC – Tem muita coisa que a gente tem vontade de mandar para lá.

* Qual o conteúdo do seu filme, o que você vai contar? Tem alguns assuntos considerados tabus, como o seu acidente?
RC – Vai ter tudo, tudo o que aconteceu. Esse filme vai contar tudo o que aconteceu na minha vida, desde o meu nascimento até o Festival de San Remo. E eu vou falar de tudo, do acidente, as questões que enfrentei, as alegrias da minha vida. A gente não vai economizar informações, até porque o meu filme tem que ter realmente tudo aquilo que aconteceu na minha vida. Se estou fazendo um filme baseado na minha história, eu não posso esconder certas coisas.

* Você vem cantando nos shows aqui no resort “Tu sei cosi”, que foi um sucesso italiano. Você já tinha cantado antes?
RC – Eu já tinha cantado ela, acho que no princípio dos anos 80. Eu sempre fui muito fã do Fred Bongusto, de tudo o que ele faz. Eu sou apaixonado por essa música, eu acho ela linda. Eu gosto muito de cantar o que eu gosto de ouvir, e me atrevi a cantá-la. A interpretação do Frei Bongusto é muito especial. Eu também cantei ela no ano passado no navio. Eu sempre fico motivado em cantar algo em italiano no navio, porque a influência italiana é muito grande. Já cantava “Champagne”, do Pepino di Capri.

* O Dody já te passou a conta do champanhe distribuído no resort?
RC – Passou e eu aprovei. Eu acho que todos nós merecemos aquele brinde e tomar a champanhe no momento do show. Se eu pudesse saia pelo meio do público para brindar com todos. Mas isso complicaria muito, e o show iria demorar uma hora a mais. Logicamente que é difícil fazer isso em um estádio, mas em local pequeno a gente sempre faz quando pode.

* Como é a sua relação com o futebol. Você vai ao estádio?
RC – Eu não vou, mas gosto de futebol e sempre que posso acompanho. Só acho que o árbitro deveria ter acesso ao tira-teima, porque na televisão vemos muita coisa que não deveria acontecer e que o árbitro não tem acesso por falta de uma tecnologia que mostre com clareza o que aconteceu. Mas eu gosto muito de futebol.

* Nos seus especiais de final do ano, você sempre prestigia a nova geração de intérpretes, sobretudo as cantoras bonitas. Mas sobre compositores, você tem algum nome que te agrada para novas parcerias?
RC – Eu não tenho feito novas parcerias. Eu continuo fazendo músicas com o Erasmo ou sozinho. Esse ano vou continuar trabalhando com o Erasmo em algumas canções, porque pretendo lançar um disco de inéditas no Brasil. Eu vejo compositores novos de muito talento, e vivemos em uma fase boa de música brasileira, um momento muito bom de música sertaneja, que tem grandes talentos. O sucesso é indiscutível, não se discute o sucesso, porque o sucesso é o que o público aprova, recebe e gosta. Não tem como discutir.

* O que você mudaria na sua vida pessoal hoje?
RC – Não tem nada que mudaria, eu estou gostando da minha vida atual. É claro que algumas coisas a gente tenta melhorar, mas estou contente, não tenho nada a reclamar.

* O ano de 2016 foi muito difícil para todos os brasileiros, e o que espera para 2017?
RC – Que não aconteçam as coisas terríveis que aconteceram em 2016, que maltrataram tanto e aborreceram tanto o povo brasileiro. É isso que todos os brasileiros esperam, que 2017 não tenha nem de perto coisas que tivemos no ano passado. Que o Brasil não tenha pessoas que fizeram tantas coisas ruins como em 2016, e que os brasileiros tenham o país que merecem. Obrigado.

(Transcrição: Carlos Eduardo Feijó Bittencourt)

PÁGINA INICIAL VOLTAR ENTREVISTAS COMO É BOM SABER