ROBERTO CARLOS
entrevista coletiva
no Projeto Emoções em Alto Mar 2016
(navio Costa Pacífica)
21.01.2016



Na décima segunda edição do Projeto Emoções em Alto Mar,
Roberto Carlos recebeu os jornalistas na tarde de 21 de janeiro para a sua coletiva.
A bordo do navio Costa Pacífica, o Rei respondeu a todas as perguntas,
e em cada resposta levava os fãs que estavam presentes ao teatro ao delírio.

RC – Boa tarde, é um prazer grande estar aqui com vocês. Obrigado por terem vindo nessa viagem sempre maravilhosa, em que faço questão de ter sempre esse encontro com vocês da imprensa, e com parte dos passageiros do cruzeiro. Esse aqui é o Dody Sirena, meu empresário.

* Primeiro eu gostaria de perguntar sobre essa mancha roxa no seu olho.
RC – Está roxo? Deve ser a luz, porque lá dentro não estava roxo não, ninguém me bateu.

* Existe a possibilidade de um disco de inédita esse ano, que já está virando uma expectativa anual? E você já tem músicas prontas?
RC – Sim, esse ano eu pretendo fazer um disco de inéditas, espero concluir até o final do ano. Já tenho quatro músicas prontas, e tenho que fazer, pelo menos, outras quatro, porque “Esse cara sou eu” e “Furdúncio” vão entrar no disco.

* Essas quatro músicas que estão prontas são suas ou são em parceria com o Erasmo?
RC – Essas quatro que já estão prontas foram feitas só por mim. As outras eu pretendo fazer com o Erasmo, todas as quatro, ou duas ou três. Eu gosto muito de compor com meu querido parceiro, meu irmãozinho Erasmo Carlos.

* Esse ano o seu show de aniversário vai ser em Cachoeiro de Itapemirim, e a pergunta é meio óbvia. Qual a emoção de voltar a cantar na sua casa mais uma vez?
RC – É uma emoção muito grande, e esse ano eu escolhi em festejar os meus 57 anos (RC ri e é aplaudido pela brincadeira) em Cachoeiro de Itapemirim. E tenho certeza que vou festejar de uma forma boa, contente e com muita alegria. Mais do que uma alegria é uma emoção muito grande cada vez que eu volto a Cachoeiro.

* Se no início de sua carreira tivesse o programa “The Voice”, você participaria? E você acha que ganharia?
RC – No início da minha carreira eu fui a todas as gravadoras do Brasil e nenhuma me quis. Todas me disseram não. Faltava só uma, a CBS, que fui por intermédio do Carlos Imperial e do Chacrinha. Lá o diretor, Roberto Corte Real, me deu a oportunidade de gravar o meu segundo disco. Se eu fosse no “The Voice”, acredito que a última cadeira viraria para mim.

* Como está a sua autobiografia, que há anos você vem prometendo?
RC – Eu estou fazendo, daqui a pouco estará pronta, e acho que vocês devem esperar a minha biografia antes de comprar qualquer outra. Porque só na minha é que vocês vão saber de muitas coisas que não sairão publicadas em outras biografias. Estou colocando minhas memórias em um gravador, e depois vou convidar um escritor para colocar no papel. Já gravei até a Jovem Guarda, e pelo conteúdo dos depoimentos acho que irei lançar dois livros.

* Em 2009, você disse que as coisas que você mais gostava eram sexo e sorvete. Você continua gostando?
RC - Cada vez mais.

* Nesse barco tem alguma rainha?
RC – Não, não tem nenhuma rainha no navio.

* A maioria de suas músicas faz sempre referência as mulheres, as musas. Você continua com suas musas inspiradoras, e você pretende se casar novamente?
RC – Eu não tenho nada contra o casamento, já fui casado três vezes. Mas também não tenho nada contra a solteirice. Agora sobre as musas, eu sempre digo que minha musa principal é a vida, porque nela eu vou encontrando histórias, pessoas e principalmente mulheres. Nas minhas músicas, as musas são mulheres que eu realmente amo ou amei, e não mulheres que eu vejo. A música “Mulher de 40”, por exemplo, não foi para uma mulher que eu estava amando naquele momento, foi uma fã que me pediu para fazer o tema.

* Você está solteiro?
RC – Estou, não me casei ainda.

* Já são 12 anos de Projeto Emoções em Alto Mar, e ao longo desses anos você teve algumas perdas, a de sua assessora de imprensa, Ivone Kassu, e do Miele. Como você lida com as perdas de pessoas tão próximas como a Ivone e o Miele, que fizeram parte de sua vida?
RC – Sempre foi muito difícil aceitar a falta da Ivone, que além de grande profissional foi uma grande amiga minha. Uma pessoa que me conquistou e a todos os que trabalham comigo. Foi muito difícil encarar a sua perda, embora eu esteja muito bem assessorado pelos meninos que trabalhavam com ela, Maurício, Leandro e Rogério. São três garotos que aprenderam muito bem, fazem o trabalho muito bem, mas a Ivone me faz falta. E o “Mielão” eu também tenho sentido muita falta. O “Mielão” foi um cara muito importante da minha carreira, quando, junto com Ronaldo Bôscoli, produziu o meu primeiro show no Canecão, com orquestra e com texto. Ele tem uma importância muito grande na minha vida e ficamos grandes amigos. Eu me lembro que depois de um show ele entrou no camarim, e me disse uma frase que eu nunca me esqueço: “Cara, eu gosto um bocado de você, gosto de você até cantando”. Eu gosto muito dessa frase do “Mielão”.

* A gente sabe que você está sempre se atualizando com as músicas do momento, e o que faz sucesso no Brasil. Você já ouviu o Wesley Safadão, e existe a possibilidade de convidá-lo para cantar no seu Especial de fim de ano?
RC – Ainda é cedo para se pensar nos convidados para o Especial. É difícil antecipar isso no inicio do ano, muita coisa pode acontecer, mas não tenho nada contra em convidar o Safadão. Ele é um sucesso que não podemos negar. Eu tenho um amigo que diz que o sucesso é indiscutível, e eu não discuto o sucesso. Sucesso é sucesso.

* Você já levou o Projeto Emoções à Las Vegas e Jerusalém. Agora, com a alta do dólar e do euro, existe a possibilidade de você fazer um projeto desse no Brasil.
Dody Sirena – Essa pergunta é oportuna e isso seria comunicado a vocês no final da coletiva. Com 12 anos de sucesso, o Projeto Emoções em Alto Mar já virou uma tradição na carreira do Roberto Carlos. Ele sempre fala da alegria de conviver com os fãs quatro dias no mesmo teto. Nós temos mais de 100 pessoas trabalhando na nossa equipe de produção, que prepara isso durante o ano inteiro para levar o melhor para todos. Existe a nossa preocupação com a crise econômica que estamos passando no Brasil. O Projeto Emoções em Alto Mar tem seus custos todos em dólar, e o dólar está cada vez subindo mais. Quando começamos o cruzeiro, há 12 anos, o dólar estava quase na casa de um real. Eu levei ao Roberto essa preocupação, que se a crise continuar o Projeto Emoções teria um impacto financeiro muito grande. E também existe o problema das companhias, porque não está sendo vantajoso para as companhias européias fazer cruzeiros no Brasil. Sempre tivemos a preocupação de proporcionar aos passageiros o que há de melhor em conforto, e diante desse quadro, conversando com o Roberto, ele autorizou de fazermos no ano que vem o “Projeto Emoções em Terra Firme”. Estamos negociando um resort, que deve ser no Nordeste, pois mais de 45% dos passageiros são do Nordeste. Continuarão sendo quatro dias no início do ano (nr. 15 a 19 de fevereiro), nos mesmos moldes que foram os projetos em Jerusalém e em Las Vegas. Esse projeto manterá os mesmos conceitos do navio: tudo incluso, várias atrações e show do Roberto todas as noites. E quando a situação do país melhorar, nós retornaremos o Projeto Emoções em Alto Mar.
RC – Não vai ser em alto mar, mas certamente de frente ao mar.

* A sua vizinha na Urca disse que está grávida? Corre o risco do filho ser seu?
RC – Vamos deixar bem claro essa história com aquela vizinha da Urca. Nunca aconteceu o que foi noticiado pela imprensa. Eu nunca mandei flores para ninguém na mureta da Urca, nunca fiquei andando de carro pelo bairro procurando por ela. Não sei da onde conseguiram inventar uma história sem fundamento algum. E se algum dia parei para falar com ela é porque eu sempre paro para cumprimentar e acenar para as pessoas que ficam naquele bar, perto do meu estúdio. Eu não sei o porquê da imprensa ter aberto espaço para uma história totalmente sem fundamento. Não sei de ontem surgiu essa história.

* Você ainda sente vontade de ser pai ou já fechou a fábrica?
RC – Mesmo que tivesse vontade eu não poderia, fiz vasectomia há muito tempo. Por isso essa insinuação que também surgiu, de que eu poderia ser pai do filho dela, não tem a menor condição de ser verdade. Essa história é simplesmente absurda.

* Mesmo com toda a crise financeira, os seus shows estão sempre lotados, o mesmo acontece aqui no navio. Você se sente um cara abençoado?
RC – É claro que eu me sinto abençoado, isso é uma coisa realmente linda na minha vida, e sempre digo que existe um caso de amor muito sério entre eu e o meu público. Para um artista essa relação é muito séria.

* Grande parte de suas fãs têm desejo de casar com você. Se você tivesse que cobrar pelo preço do seu óvulo (sic), quanto que você cobraria?
RC – Dependendo de quem fosse eu daria de graça.

* Mais de 50 anos de carreira, você ainda causa frisson por onde você passa. O seu público te ama e seus shows estão sempre lotados. Você sempre esteve no topo do sucesso. Como você encara isso?
RC – Eu faço o meu trabalho com muito empenho, com muito cuidado, gosto de fazer tudo da melhor forma possível, sou muito detalhista. Não sei se tenho alguma coisa a dizer a mais do que isso. Eu gosto do que faço. Já disse várias vezes sobre os meus discos, que nunca considero eles prontos. Eu abandono o disco, eu encerro o trabalho por causa das obrigações de contato, do lançamento, porque se deixar eu vou sempre tentar melhorar alguma coisa. E só vou ouvir esse disco um, dois meses depois de lançado. Com a cabeça descansada eu vou analisando, e sempre encontro alguma coisa que poderia ser mais bem trabalhada.

* Cachoeiro já está se preparando para o seu show de aniversário, e o que o povo da sua cidade pode esperar?
RC – Eu vou levar para Cachoeiro o mesmo show que estou fazendo pelo Brasil. Vou cantar as músicas que o público espera que eu cante, eu sempre coloco um repertório que, eu penso, as pessoas gostariam de ouvir. Deve entrar algumas músicas do CD “Primera fila”, que estou lançando, e levar o meu carinho e o meu amor à minha cidade, que é muito grande.

* A cada ano que passa você está mais atualizado, mais antenado, mais surpreendente e mais atual. O tempo só faz o bem para você. Qual e o segredo?
RC – Não sei se tem segredo. Eu sou o que eu sou, e fico contente das pessoas gostarem de mim da minha maneira.

* Qual a sua rotina no navio?
RC – Eu vou ao cassino, participo da coletiva, vou ao karaokê, gosto de ver as pessoas cantando as minhas músicas, entrego o prêmio aos vencedores. São coisas normais, também como e bebo.

* Você sempre cantou a ecologia e os animais. O que você está achando desse problema da lama tóxica que atingiu várias cidades? E completando, o que você está achando da situação do Brasil nesse momento?
RC – São muitos problemas que o país está passando. Essa situação da lama tóxica é inconcebível, terrível e o pior é que a conclusão que se chegou é que houve negligência. Sobre a situação do Brasil, eu sou muito otimista, e já vimos essas coisas acontecerem em outras épocas, mas acho que não tão graves como a situação que estamos vivendo. Eu tenho esperanças de que iremos resolver isso de alguma forma, mas a situação no país tem que mudar. A coisa não pode continuar do jeito que está. O nível de corrupção no Brasil é absurdo e vergonhoso.

* O que você acha que tem que mudar?
RC – Tudo! Começando pela corrupção que tem que ser punida. Quem está fazendo mal ao Brasil não pode continuar nele, ou pelo menos no poder.

* Você é uma pessoa de difícil acesso, certamente não consegue andar pelas ruas. Sendo assim, como você consegue conquistar alguém?
RC – Primeiro temos que analisar o tipo de mulher que queremos conquistar. Cada mulher tem seu jeito, cada mulher tem sua forma de impressionar. Isso é fundamental, saber com quem você está lindando para saber as qualidades daquela pessoa. Mas a minha maneira de conquistar eu não vou contar.

* Como foi a sua parceria com a Ludmila no Especial de fim de ano?
RC – Foi muito agradável. Eu fiquei muito contente com a participação dela. Ela é uma menina de muito talento, de muita espontaneidade, de muita simplicidade, e conquistou todo mundo no estúdio. A Ludmila é uma gracinha de pessoas, e o público pode ver que ela canta todo tipo de música.

* Você ouve os programas de rádio dedicados a você? Como você se sente sendo homenageado pelos fãs nesses programas, com histórias de vida ligadas as suas músicas?
RC – Eu não tenho tempo de ouvir todos, mas é uma coisa muito gostosa. Muito bom ouvir essas histórias, saber dessas histórias, dessas experiências de vida, de carinho e de amor. Eu sou agradecido por tudo isso.

* A sua velha amiga, Candinha, tem uma grande lista de suas namoradas e de seus amores. Ela disse que você irá anunciar em Cachoeiro o nome da nova rainha.
RC – Só posso falar que a Candinha bebeu.

* O menino de Cachoeiro podia imaginar ter chegado até onde chegou?
RC – Eu estou muito contente com todo o resultado da minha carreira, e cada dia mais eu agradeço por tudo o que tem acontecido, mas eu não paro. Continuo com o objetivo de seguir a minha carreira da mesma forma, do mesmo jeito. Tenho projetos de discos lá fora. Pretendo lançar um disco de inéditas para o mercado latino, também quero lançar um disco em italiano, o que há muito tempo eu não gravo. Continuo tocando a vida com a mesma velocidade e com o mesmo empenho. Eu gosto muito do que eu faço e gosto muito de trabalhar.

* Qual o segredo de atrair também o púbico jovem. Parece que você não tem data de validade.
RC – Eu fico muito contente de que os jovens estejam gostando do que eu faço, e isso é motivo de orgulho para qualquer artista.

* Os fãs têm observado que você não usa mais o medalhão do Sagrado Coração de Jesus que você sempre usava. Tem alguma explicação?
RC – Eu continuo usando, só que diminuiu o tamanho. A história é a seguinte: quem me deu aquele medalhão foi à irmã Fausta, que foi minha professora no Colégio Cristo Rei. Muitos anos depois, eu falei com ela que estava pensando em fazer uma réplica um pouco menor, e ela mesmo mandou fazer esse medalhão, igual aquele, só que menor (nr. Roberto tira o medalhão de dentro da camisa e mostra).

* Você usa as mídias sociais. Tem WathsApp para manter contato com suas fãs?
RC – Tenho todos os canais, mas eu não sou muito de ficar conectado neles. Eu procuro ouvir e ler as coisas que me mandam. O Dody diz que a palavra internet é coisa antiga, hoje se chama de plataforma digital.

* Passa o número do WhatsApp?
RC – Depois.

*Ao longo de tantos anos de reinado teve alguma emoção que você ainda não viveu e tem vontade de realizar?
RC – Sempre têm, sempre têm emoções novas surgindo. Talvez não sabemos quais são, mas com certeza emoções boas, gostosas, principalmente no amor. É lógico que tenho vontade de viver outras emoções, e vou viver intensamente sempre.

* O que você acha das pessoas mandarem nudes? Você já recebeu ou mandou algum nude?
RC – Não, nunca mandei, mas já recebi alguma coisa. Não tenho nada contra, desde que não seja nada ofensivo.

* Estou representando os seus fãs de Los Angeles e Miami, e eles me pediram para perguntar por que quando você se apresenta nessas cidades canta tão pouco em português?
RC – Isso é uma questão delicada, porque o público é sempre dividido entre brasileiros e hispânicos. Assim eu fico sempre bastante dividido. Muitas vezes que pergunto aos organizadores a porcentagem entre brasileiros e hispânicos. Então, eu tento sempre dividir as músicas em português e espanhol, às vezes uma mesma música eu canto nos dois idiomas. “Jesus Cristo”, por exemplo, sempre foi uma letra difícil em espanhol, agora nesse projeto “Primera fila”, eu gravei em espanhol.

* Você nunca pensou no “Projeto Emoções em Alto Mar” sortear alguns fãs para um jantar ou um almoço? Não seria mais uma atração?
RC – É claro que eu penso, mas não é fácil fazer isso, porque o certo seria eu almoçar ou jantar com todo o mundo. É complicado ficar selecionando as pessoas.

* O que existe de diferente em cada cruzeiro do Projeto Emoções, para proporcionar novas atrações a seus fãs?
RC – A gente tenta colocar atrações diferentes, mudamos algumas coisas, inclusive o repertório dos meus shows. Mas, basicamente, o projeto é o mesmo, porque pelos números que recebemos só 30% por cento do público já participaram do projeto, e para a grande maioria o cruzeiro é sempre uma novidade.

* Você fez um show na praia em Copacabana, que virou Especial da Globo. Você pensa em reeditar aquele show?
RC – Aquela foi um Especial da Globo, não penso em lançar em DVD. A expectativa mesmo agora é fazer um disco de inédita, que está me fazendo muita falta, e a biografia. Não se esqueçam do que disse antes, tem que ler o meu livro primeiro.

Dody Sirena – Agradecemos a todos vocês, e para terminar só lembrando que o Roberto Carlos dará continuidade este ano às comemorações de seus 50 anos de carreira internacional. Ele vai iniciar em abril, provavelmente na Argentina, em maio estará na Colômbia, Chile e seguindo depois para Espanha e México, e também continuará com seus shows no Brasil, nas principais cidades.
RC – Obrigado a todos vocês, um beijo muito grande a todos. Que Deus abençoe a todos.

(Transcrição: Carlos Eduardo Feijó Bittencourt)

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