ROBERTO CARLOS
entrevista concedida a Carlos Eduardo F.Bittencourt para o
Grupo Um Milhão de Amigos

(entrevista coletiva concedida em 30 de novembro de 1996
no Copacabana Palace, Rio de Janeiro)




Rio, 30/11/96
Exatamente um ano após haver entrevistado Roberto Carlos pela primeira vez,
cheguei à sua coletiva à imprensa.
Desta vez o local escolhido para o lançamento do seu novo disco foi o Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.
No salão azul, onde estavam reunidos os radialistas,
já encontrei nossa coordenadora Vera Marchisiello.
O ambiente era dominado pelo CD que apresentava os dez novos trabalhos de Roberto Carlos.
A emoção, entretanto, não me permitia parar para sentir as músicas dentro do coração.
Numa das suítes do sexto andar, Roberto recebia os radialistas de São Paulo.
Depois chegou a nossa vez.
Numa conversa alegre e descontraída ele nos recebeu por quase uma hora.
Bem disposto, brincando bastante, irradiando simpatia apesar do cansaço natural
de uma maratona de fim-de-semana que já se tornou rotina em sua vida,
ele respondeu a tudo o que lhe foi perguntado.
Com o perfeccionismo que todos conhecemos e grande respeito por cada profissional que ali compareceu,
Roberto Carlos superou o cansaço, esqueceu o tempo e se dedicou inteiramente
àquela entrevista coletiva e às mensagens individuais que ainda gravou,
num trabalho ininterrupto até às 20 horas.
Como já disse Caetano Veloso, “por essas e outras é que sabemos a quem chamamos de Rei”.



- Além das músicas do novo disco, quais os assuntos que sempre são abordados por seus entrevistadores?
RC - Religião é um desses assuntos, o que mais... Não, é praticamente isso, sobre religião, sobre canções religiosas, as mensagens que graças a Deus eu acho que cada vez mais vem chamando a atenção das pessoas, ou melhor, não só chamando a atenção mas tendo a atenção das pessoas.

- Seu objetivo é cantar cada vez mais essas canções para despertar a atenção com essas mensagens?
RC – Desde que gravei a canção “Jesus Cristo” eu me propus a colocar uma canção de mensagem em cada disco. Essas canções que chamo de mensagens são músicas que falam de Cristo, as mensagens ecológicas como “O Progresso”, o “Amigo”, por exemplo, que são mensagens de fraternidade. Recentemente eu tenho me dedicado mais às mensagens que falam de Deus, de Nossa Senhora, de Jesus. Eu não sei se diria mensagens religiosas porque não sei se tratamos de religião, mas se trata, realmente, de falar de Deus.

- É verdade que todos os dias você reza o terço?
RC – Todo dia. Se, às vezes, eu não rezo um dia, no outro eu compenso. Às vezes fico um dia sem rezar, mas sempre pensando em compensar na semana seguinte. Minha proposta é mesmo rezar o terço todos os dias.

- Roberto, um jornalista disse que gostar de Roberto Carlos é hereditário. O que você acha dessa afirmação?
RC – Não sei se é exatamente assim. Não sei te dizer. Graças a Deus eu tenho um público jovem bem grande, mas logicamente que o meu público fica mais acima dos 30, que é a faixa mais presente nos meus shows. Acredito que represente 50 por cento. É verdade que a presença jovem nos meus shows é bastante grande, graças a Deus!

- Por que nos últimos anos você passou a destacar em suas músicas a mulher em diferentes aspectos: a baixinha, a gordinha, a mulher de óculos e agora a mulher de 40 anos?
RC – Uma vez um fiz uma canção chamada “Caminhoneiro”, homenageando aquele que sempre foi um ídolo para mim desde a minha infância. Eu morava perto de um depósito da Coca-Cola e também de um depósito de café, e os caminhões chegavam lotados. Aquilo era uma maravilha para mim, as histórias que os caminhoneiros contavam, aquilo tudo era uma coisa fantástica para mim com meus 8 a 9 anos. A imagem do caminhoneiro ficou muito forte. Às vezes alguém me perguntava o que eu queria ser quando crescesse, e eu dizia que ia ser caminhoneiro. Já minha mãe queria que eu fosse médico. Um dia, quando cantei pela primeira vez em rádio, acabei decidindo ser cantor. Em 84 resolvi homenagear o caminhoneiro, porque é uma classe que admiro muito. Depois de “Caminhoneiro” veio “O taxista” e também “O velho caminhoneiro”. Aí, um dia, resolvi fazer uma canção para as mulheres pequenas, pois elas me chamavam a atenção. Mas sempre quis fazer uma canção para as gordinhas; isso demorou um pouco mais, mas a verdade é que a idéia já vinha de muito antes. E partindo de alguns detalhes das mulheres eu comecei a observar mais. Olhando com mais atenção às particularidades das mulheres a gente começa a descobrir muito mais coisas do que normalmente a gente vê. Aí veio “Mulher pequena”, depois vieram “Coisa bonita” e “O charme dos seus óculos”. A idéia dessa música surgiu num dia que entrei no palco e vi muitas mulheres de óculos na platéia. Agora, a “Mulher de 40”, porque a mulher de 40 é privilegiada, ela tem muito de juventude, é uma mulher bonita e tem uma experiência que lhe dá um charme especial. Você sabe que a experiência influi no charme das pessoas. Nós resolvemos dizer essas coisas que elas têm e que nunca foram ditas em músicas.

- De onde vem tanta inspiração para compor?
RC – A inspiração é coisa de Deus, é uma coisa que Deus nos dá. Deus nos dá inspiração e depois a gente trabalha em cima dela. Eu digo que sempre tem o momento da inspiração, o que é uma coisa que vem de Deus, e que depois vem o trabalho, que também tem a presença de Deus ajudando.

- Hoje a música sai com a mesma facilidade de anos atrás?
RC – Depende muito da música, porque hoje a gente trata dos temas com muito mais cuidado e às vezes vai mais fundo. Às vezes a gente faz canções mais longas e desenvolve mais o tema, então há canções que demoram mais para serem feitas. Outras saem mais rapidamente, mas de um modo geral hoje demoramos muito mais para fazer as canções do que demorávamos antigamente.

- Como é a participação do Erasmo em suas músicas?
RC – Sempre tem a opinião de um ou de outro nas músicas. Eu posso desenvolver uma música mas sempre tem um comentário do Erasmo. Acho que não há uma música que não tenha tido um palpite ou até uma vírgula que um ou outro tenha colocado.

- Como é a sua relação com o Erasmo Carlos?
RC – Nossa amizade está acima de pequenos aborrecimentos, de pequenas coisas. Nós temos um relacionamento tão de irmão, tão de amigo que a gente não cobra nada um do outro. Erasmo Carlos e eu somos dois amigos, dois irmãos que às vezes no dia do aniversário de um ou de outro, quando chega onze horas da noite e a gente recebe um telefonema dizendo assim: “hoje é o dia do meu aniversário e estou ligando para você me dar os parabéns, porque até agora você não me ligou”. Isso já aconteceu das duas partes. Às vezes a gente não consegue, porque no dia do aniversário o telefone toca o tempo todo, graças a Deus, e um não consegue falar com o outro, então acaba o aniversariante ligando para ser cumprimentado pelo amigo. Então você vê até que ponto vai a liberdade e o relacionamento que Erasmo e eu temos.

- Roberto, fale um pouco da música “O homem bom”, que está no seu disco. Quem é ele?
RC – Essa adaptação que a gente se refere no disco foi porque a música original não falava do homem bom. Então e conversei com o Paulinho Sette e com o Clayton Querido e sugeri a eles que esse personagem tivesse uma identificação, porque não estava bem claro quem ele era, podia ser um carteiro, um eremita, ficou meio vago. Tínhamos que explicar melhor e começamos a conversar, trocar idéias. Dei sugestões. Aí eu disse que eles deviam conduzir a música para que o personagem fosse uma pessoa que só faz o bem, deviam dar uma identidade a esse homem. Quem é o homem bom? É qualquer pessoa que faz o bem, que se preocupa em fazer o bem às pessoas, e que segue seu caminho distribuindo amor e ajudando aos outros. É claro que ele é um imitador de Cristo. Sugeri algumas coisas e no fim a música diz que ele pode ser Pedro, Paulo ou João, porque sem dúvida alguma eu acho que um dos exemplos máximos que a gente tem na terra, como exemplo de homem bom, é o Papa. Quer dizer, esse homem pode ser o Papa, mas pode ser o João, pode ser o Pedro, o Paulo, desde que João, Pedro, Paulo e José sejam homens bons.

- Há pouco tempo Pelé fez uma reflexão sobre sua carreira e lamentou que poderia ter ajudado muita gente. Alguma vez você fez uma reflexão assim?
RC – Já refleti muitas vezes e sempre penso que as atitudes que não tomei, não as tomei porque não tinha maturidade suficiente para fazê-las. Sempre gostei de fazer as coisas com conhecimento de causa, de verdade. Acho que fiz as coisas de acordo com a minha capacidade e acho que tenho aprendido muito. Por isso hoje em dia estou podendo fazer, ou dizer, ou comentar, ou falar coisas bem mais do que podia aos 20 anos.

- Fale um pouco da canção “O terço”.
RC – Já faz parte da minha maneira de ser, da minha personalidade... Sou um cara religioso, praticante, costumo ir à missa todos os domingos, com raras exceções, e presto muita atenção ao sermão, ao Evangelho e às coisas que estão escritas no folheto da missa, que são todas, ou quase todas, tiradas da Bíblia. Isso tudo contribui muito para as músicas que tenho feito. Às vezes até recorro aos folhetos, dou uma olhada para buscar ali alguma coisa que gostaria de dizer, para me informar também. Na canção “O terço” eu li algumas partes da novena de Nossa Senhora de Schoensteiten, “Mãe, Rainha Vencedora, três vezes Admirável” e algumas coisas ali me ajudaram muito, pois eu aprendi muito lendo e fiz a novena duas vezes. Uma das coisas que eu aprendi e que para mim é uma coisa importantíssima é a aceitar a vontade de Deus como o maior bem da vida. Na novena não está dito assim, mas eu resolvi adaptar assim para a música. A gente vive descobrindo coisas, assimilando, e começa a cantá-la.

- Você vai à missa todos os domingos?
RC – Vou sim, quando não posso ir aos domingos vou aos sábados, mas normalmente vou aos domingos. Inclusive, quando faço shows fora do Rio ou de São Paulo vou à Igreja. As pessoas às vezes não entendem nada. Quando entro na Igreja sempre há uns olhares quando me vêem comungando... Durante a missa os fiéis se mantém concentrados na cerimônia, agora, quando acaba a missa a gente tem que sair um pouco rápido, mas sempre acaba cumprimentando todo mundo. Eu acho que as pessoas estão ali por uma razão muito especial, que é a missa em si, a razão religiosa. É claro que um artista sempre chama a atenção mas elas respeitam aquele momento.

- O que mais te incomoda na realidade brasileira?
RC – O que mais me incomoda, e até já me fizeram essa pergunta de outra forma, é a pobreza no Brasil, porque os nossos pobres são muito pobres. Sempre digo que é preciso que haja uma preocupação a nível do poder, do governo, de se criar um plano com prioridade para que se faça alguma coisa pelos pobres do Brasil. Acho que nunca houve por parte do governo um plano que fosse dirigido à questão da pobreza, realmente. Ela acaba como parte das muitas coisas que têm que ser resolvidas no país, não é tratada como prioridade. Acho que algum dia isso tem que acontecer. Se a questão da pobreza for resolvida muitas outras coisas de amenizarão. Com a graça de Deus há de haver um plano que resolverá a questão da pobreza.

- Como é a sua relação com o seu filho Rafael?
RC – Muito boa, graças a Deus. Rafael é um bom menino e a nossa relação é muito boa. Inclusive ele vai estar no meu Especial.

- Parece que o Rafael vai ser pai; você está preparado para ser vovô?
RC – Eu acho que a gente não tem que se preparar para ser vovô. Ser avô faz parte da vida, é uma coisa legal. Todo mundo que é avô diz que é uma maravilha. O Erasmo está deslumbrado. Deve ser uma coisa muito boa.

- Como seus filhos receberam mais um irmão?
RC – A princípio estranharam um pouco, pois a questão veio de repente e eles não estavam preparados para receber um novo irmão, principalmente um irmão já com 26 anos. Então houve um pouco de surpresa, mas logo em seguida eles aceitaram.

- Roberto, se você tivesse que escolher entre uma mulher baixinha, uma gordinha, uma de óculos ou uma de 40, qual seria a sua preferida?
RC – Deixa-me ver como vou responder isso... Com qual delas eu ficaria? Acho que teria... deixe ver... é meio difícil... É meio complicado esse negócio. Essas coisas dependem muito do momento e da verdade dos fatos. Você está falando de suposições. A questão é um pouco diferente, não é mais ser uma mulher pequena, gordinha, de óculos ou de 40. É uma questão do que toca no coração. Você não pode analisar aí pelas suposições, diante de três ou quatro mulheres que chamam a nossas atenção.

- Qual será a próxima homenagem?
RC – Não sei ainda não... não sei ainda não.

- Será uma mulher de 50?
RC – Por que não? Mas eu acho que quando a gente fala da mulher de 40 a gente também está falando das que têm mais de 40, porque tem muita mulher de 50, 55 e até mesmo de 60 anos com cabeça de 40. Enfim, o importante é isso, a idade mental das pessoas é o que funciona muito nessa questão. Quando fiz, com Erasmo, “Mulher de 40”, foi pensando nela como imagem, mas ela pode ter 55, não tem problema não, é dos 30 para cima. Mas a imagem é realmente a da mulher de 40; as características todas são as das mulheres de 40.

- Você acha que as mulheres altas, louras e magras já são muito cantadas? RC – Bom, isso aí tem até um duplo sentido, mas no sentido de elas serem cantadas em músicas eu acho que é relativo. Às vezes um compositor fez uma música para uma mulher pequena, só que não disse que ela é pequena, falou simplesmente da mulher, do amor que tem ou de qualquer outro assunto, mas não explicou se ela é pequena, grande, gordinha ou de óculos. Muita gente já pode ter cantado as mulheres pequenas, as gordinhas, as de óculos, ou as altas e magrinhas.

- Você acha que esse tipo de música pode despertar a atenção dos jovens em relação à beleza dessas mulheres de mais de 40?
RC – De repente pode chamar a atenção de quem ainda não prestou atenção na mulher de 40. Devem ser casos raros, porque acho que todo mundo, quando começa a prestar atenção nas mulheres também presta atenção nas mulheres de 40. Mas pode ser que os que ainda não tiveram sua atenção voltada para elas comecem agora. E isso é bom.

- O que você acha do amor com grande diferença de idade?
RC – Não vejo nenhum problema nisso não.

- Como você faz para comprar presentes?
RC – Isso é difícil, porque para fazer isso eu tenho que armar um esquema de fechar uma loja depois do expediente. Nos shoppings isso é difícil, é meio complicado. Quando eu quero dar um presente eu peço a alguém para comprar, eu dou uma idéia do que quero, alguém me ajuda, e dependendo da loja às vezes consigo que ela fique aberta depois do expediente para eu poder escolher e comprar alguma coisa.

- O que seus fãs podem te dar de Natal?
RC – É facílimo... é facílimo, todo mundo sabe do que eu gosto, o que visto, e camisa azul tem em todo lugar. Plantinhas...

- Há pouco tempo o Grupo pela Vida colocou uma camisinha na imagem de Nossa Senhora para divulgar mais a causa. Como você recebeu isso?
RC – Em primeiro lugar, acho que essas coisas não devem ser misturadas dessa forma. Nem consigo explicar como misturar diferenças tão acentuadas, coisas tão opostas. Acho errado, não concordo e, para dizer a verdade, acho mesmo um absurdo, um absurdo total, e a Igreja foi contra com toda razão. É um absurdo fazer essa mistura. Não acho isso criatividade, acho que é falta de criatividade. Acho um absurdo uma camiseta dessa. Acho, não, tenho certeza, Nossa Senhora e Jesus têm que ser olhados de uma forma completamente separada das coisas materiais. Temos que ter muito mais respeito.

- Já aconteceu alguma vez de você ter reclamado de Deus por algo que não saiu como você queria ou por algum problema em sua vida?
RC – Com Deus nunca reclamei, não. Já reclamei com as pessoas. Mas quando reclamo muito já desabafo e aí me acalmo e vou refletir com calma sobre o assunto. Mas reclamar com Deus, isso nunca. Às vezes até encontro, em determinadas coisas, razões em Deus para que elas aconteçam. Razões que eu teria, não; razões que Deus tem.

- O que você não tira do coração?
RC – Muita coisa... puxa vida, muita coisa. Porque a vida da gente é cheia de coisas que acontecem e ficam guardadas, ficam ali no cantinho do coração. De vez em quando alguma coisa acontece, a gente vê ou ouve alguma coisa que mexe com aquele fato que está guardado no coração da gente. Não no coração, mas na memória, na cabeça, mas a gente diz no coração porque fica mais romântico. Estou generalizando, porque não são só as coisas amorosas, são as coisas da vida que não saem do coração. Mas logicamente que na canção “Tem coisas que a gente não tira do coração” estou tratando das questões amorosas, e nesse campo, realmente, tem coisas que a gente não tira do coração.

- Qual a grande qualidade da mulher?
RC – A qualidade... desculpe, mas não é querer fugir do assunto, da pergunta, mas a qualidade da mulher está num conjunto de coisas, mas todas baseadas no caráter, que é a maior qualidade que a pessoa pode ter. Mas junto ao caráter muitas outras qualidade podem estar juntas, como, por exemplo, uma pessoa ser amável, ser simpática, uma mulher ser sensual. Então, é o conjunto fazendo dela uma mulher de qualidade, mas o caráter é o principal.

- Numa recente entrevista à revista Cláudia você disse que há coisas que não conseguimos seguir na Igreja Católica. Quais são?
RC – Eu não disse exatamente que a gente não consegue seguir; eu disse que a gente não tem controle sobre elas. Uma delas é a convivência a dois, que não depende só da gente. Quando algo depende de duas pessoas tem que haver um equilíbrio, e esse equilíbrio depende do casal. Embora um ou outro tente equilibrar a situação, às vezes é difícil. O controle da vida a dois nem sempre é fácil. Então, involuntariamente, vem à separação, porque não se consegue solucionar a situação. Isso é o que eu acho, mas seria muito bom se realmente a gente pudesse seguir sempre tudo aquilo que está determinado no casamento, ficar junto para sempre.

- Você encontrou alguma resistência de sua família quando quis ser cantor ou em algum momento pensou em desistir?
RC – Não! Não tive contras, muito pelo contrário, sempre tive muito incentivo da minha família. Como disse antes, quando era muito pequeno mamãe queria que eu fosse médico, e acho que quando ela me viu cantando na rádio gostou. E deve ter dito “é capaz de esse menino ser cantor mesmo”. E logo, aos 13 para 14 anos, quando vim para o Rio, para Niterói, para a casa da minha tia Dindinha (que Deus a tenha em bom lugar e a abençoe), eu comecei a ir às rádios e aos programas e cada vez mais eu me convencia: queria ser cantor. Em Cachoeiro, comecei a cantar em rádio aos 9 anos e depois não parei mais. Passei em fazer parte do “cast” da rádio, tive um programa só meu e nunca tirei isso da cabeça. Às vezes pensava que poderia ser desenhista porque gosto muito de desenho, mas eu queria mais era cantar. Quando era pequeno também pensei em ser caminhoneiro.

- Com tantas tragédias no país e tantas denúncias, você acredita na justiça dos homens? Como você vê os casos do Osasco Plaza Shopping e da TAM?
RC – É muito difícil falar de casos em particular, em casos isolados, porque cada um vem de uma situação que deve ser estudada com profundidade. A gente sabe que no Brasil existe o problema da lentidão da justiça. Isso é um fato que tem causado muitos problemas. O sistema é muito lento, todo mundo sabe, e isso tem prejudicado muito a questão Justiça no Brasil. É preciso que haja mais rapidez, uma forma mais prática de resolver as questões. Quanto aos casos de Osasco e da TAM, são casos difíceis mas que terão que ser julgados e os responsáveis terão que assumir suas partes em tudo isso.

- Qual a sua mensagem de Natal aos pobres?
RC – Eu peço a Deus que dê proteção a eles, e que os abençoe, lhe dê muita coragem e muita força para que possam enfrentar todos os seus problemas. Enfim, muita fé, porque a fé dá muita força, a fé cria uma coragem fantástica na gente.

- Qual o significado do Natal para vocês?
RC – Natal é a festa do nascimento do Salvador, Jesus Cristo. Para mim, e acho que para todos, o Natal é isso. Logicamente que as festividades do Natal se estendem um pouco mais, há os presentes e as ceias. Mas para mim, o que não se pode esquecer é que no Natal, no dia 25 de dezembro, nasceu Jesus, e que Ele veio à Terra dizer tudo que precisava ser dito para a nossa salvação, Ele veio nos ensinar tudo aquilo que significa a salvação do nosso corpo e da nossa alma.

- Como é ser um instrumento de amor através de suas músicas?
RC – Para mim é uma responsabilidade muito grande ser compositor e cantor e saber que tudo aquilo que escrevo e canto as pessoas vão ouvir e interpretar. É uma responsabilidade muito grande. Mas é uma coisa muito gratificante, uma coisa muito boa. Eu agradeço a Deus a todos os instantes por isso tudo que Ele me deu e tem me dado, agradeço ser cantor e compositor. Agradeço sempre as idéias que Ele me dá porque tenho certeza de que a inspiração sempre vem de Deus para que eu diga as coisas que tenho dito. Quando falo eu, estou dizendo eu e Erasmo porque sempre trabalhamos juntos. Então, acho que tudo isso uma coisa boa e agradeço a Deus a todo instante.

- Você tem um milhão de amigos?
RC – Graças a Deus tenho muito mais.

- E o seu cantar se tornou mais forte?
RC – Graças a Deus. Quanto mais as pessoas cantarem juntas mais força a gente tem, mais perto de Deus a gente está. Deus disse que quando duas pessoas, ou mais, rezam juntas, Ele também está presente.

- Na coletiva do ano passado você falou que iria lançar, este ano, uma coletânea de músicas religiosas. Por que esse disco não saiu?
RC – Isso é uma idéia que tenho; a qualquer hora vai sair. Essa idéia está evoluindo, o que eu pensava sobre esse projeto naquela época já está mais desenvolvido hoje. Daqui a pouco estará pronto, quem sabe este ano?

- No passado você gostava de carro e de mar, quais são as suas paixões hoje?
RC – Eu continuo gostando demais de carros e do mar, são coisas realmente apaixonantes. São coisas gostosas, boas, só que hoje em dia existem outras coisas mais gostosas para mim: Deus principalmente. A minha devoção, a minha fé, cada vez mais falar nas canções de coisas de amor, falar para as pessoas o que penso. Acho que tudo isso é para agradecer a Deus.

- Como é ser o Rei Roberto Carlos?
RC – Não sei, não sei porque não entendo nada desse negócio. Esse negócio de Rei é um tratamento muito carinhoso que me deram e que recebo com muito amor, mas não me sinto assim não. Por isso é que não entendo nada disso. Mas recebo esse tratamento com carinho, com amor e com muito agradecimento, como uma homenagem. Mas não me sinto um rei.


PÁGINA INICIAL ENTREVISTAS COMO É BOM SABER