ROBERTO CARLOS
coletiva no cruzeiro
"Emoções em Alto Mar"
05.02.2010




RC- Obrigado pela presença de todos vocês, é uma honra para mim receber tantas pessoas.

**- Sobre essa viagem, depois de 6 anos, que significado tem esse passeio? Você sempre traz pessoas muito queridas. Que sabor isso tem e que novidades você consegue trazer, porque tem gente que vem há 6 anos. Como é manter o entusiasmo?
RC- Olha, o prazer é cada vez maior, a alegria é cada vez maior, as emoções com certeza cada vez, como dizem meus imitadores, “as emoções cada vez maiores, bicho ehehehe” (risos). As emoções cada vez maiores com certeza. Tudo é maravilhoso nessa viagem. Eu sempre digo que quando eu saio desse navio eu chego lá fora e às vezes eu choro. De verdade.Eu olho para o navio e digo assim: caramba eu vivi alguns dias de total alegria, esqueci todos os problemas e agora eu volto para a realidade, agora eu tenho que enfrentar todas as coisas da realidade mas lá eu vivi um momento realmente maravilhoso, de total alegria, uma fantasia, sei lá, de repente parece que a gente sai da realidade nesse navio. Isso é maravilhoso. (aplausos)

** Você várias vezes já gravou com sertanejos. Está programado especial sertanejo. Qual a sua relação com a música sertaneja e suas lembranças do sertanejo?
RC- A minha relação com o sertanejo é da maior qualidade, maior carinho, nós nos damos muito bem. Já fiz um dueto com Chitãozinho & Xororó que me deu uma alegria muito grande. Enfim, a minha expectativa é grande para esse show porque eu tenho certeza que vai ser uma coisa bonita, bonita. As nossas músicas se entendem sabe, com certeza, porque elas são diretas ao povo e quando é assim eu gosto e tenho certeza que vai dar certo. As referências do passado, da minha época, quando eu era criança... Quando eu nasci, Alvarenga & Ranchinho (risos) muita gente, viu bicho? Logicamente que o cenário do sertanejo antigamente era bem diferente de hoje. Luiz Gonzaga, o grande Gonzagão... Enfim essa era a referência que a gente tinha do sertanejo daquela época, Tonico & Tinoco...

**- Você saindo daqui vai gravar seu CD em espanhol, mas a grande expectativa é a gravação do CD de inéditas em português, todo mundo esperando há muito tempo.
RC- Eu também. (risos)

**- Quando é que você vai fazer? Já tem música pronta? Tem expectativa de chegar ao estúdio esse ano?
RC- Minha expectativa é grande para fazer esse disco, mas esse ano não vai ser possível fazer esse disco não. Esse disco inédito não vai dar porque os compromissos que eu tenho esse ano são muitos, os shows que eu tenho programados, enfim, e principalmente a viagem ao Exterior. Não dá para eu fazer esse disco inédito. Eu quero fazer esse disco com muita calma, eu não quero fazer esse disco com 5 meses de tempo para ele. Eu quero fazer esse disco com 12 meses pra fazê-lo. Então, não será esse ano ainda, mas a minha expectativa é grande. Eu já tenho quase esse disco, o repertório desse disco está quase pronto porque eu venho todo ano... Penso que vou fazê-lo e aí não faço, fica para o ano que vem. Mais uma vez ficou, mas o ano que vem com certeza eu vou fazer esse disco.

**- O que você fica fazendo nas horas em que não está fazendo show aqui dentro do navio? Eu soube que esse ano tem parentes seus e da Maria Rita. Quem são?
RC- De modo geral eu vou ao cassino, porque eu gosto muito de brincar no cassino e assisto a alguns shows que são feitos no navio. Por exemplo, esse ano assisti ao show do Tom Cavalcante. (risos) Enfim, normalmente... ano passado também, nas duas temporadas, enfim o que eu faço? Faço um pouco de musculação. Eu venho muito cedo para o show, quando eu tenho show eu chego muito cedo e me preparo com muito cuidado, muito carinho, passo o som às vezes.. Não faço muita coisa não, eu faço tudo que eu tenho que fazer. Ah, os familiares? Isso não é novidade, meus familiares, os familiares de Maria Rita sempre têm vindo em todos os vindo nos cruzeiros, estão sempre comigo como também os meus amigos todos, o pessoal que trabalha comigo. O Dodi vem todos os anos, aliás o ano que vem é o navio do Dodi, é o Costa Serena, o Dodi Sirena, o Costa Serena, ele comprou e... brincadeira, não comprou não, mas é o navio dele... é o que eu digo.

**- Você é um cantor que canta bem as emoções quando o romance dá certo e quando não dá certo. Queria saber como está você agora de coração, de namoro. Saiu publicado que você estaria namorando uma estudante de medicina, Fernanda, e eu queria saber se está rolando ou não está rolando. Como é que está a sua emoção?
RC- Esse boato já é antigo, né, bicho? Pelo jeito o tempo que esse boato começou eu já estaria começando a me preparar para casar (risos). Esse boato é do ano passado e não, não é verdade, não tem nada a ver, isso aí eu não sei como surgiu não sei como é que é não. Foi só isso que você perguntou? (risos) Estou bem, estou numa boa, estou legal, estou contente, enfim, estou tocando a vida numa boa. Estou fazendo as coisas que eu gosto, tudo.

**- 50 anos de carreira. O que você sente quando lembra do garoto Roberto lá de Cachoeiro de Itapemirim e olha a sua carreira hoje? E quais são os seus planos para os próximos 50 anos?
RC- Que gozador, hein! (risos). Olha, quando eu me lembro da minha infância, quando eu comecei minha carreira na Rádio Cachoeiro de Itapemirim, com certeza eu tenho muita saudade. Tenho muita saudade, foi um momento de muita... sei lá, uma coisa nova na minha vida. A primeira vez que cantei na Rádio Cachoeiro, as pernas tremiam, enfim, e não pensava realmente que eu ia chegaria a ter essas alegrias todas que eu estou tendo aos 50 anos de carreira. Os 50 anos para mim são o que há de maravilhoso na vida de qualquer pessoa que realiza uma coisa assim. Para mim isso tudo é lindo, maravilhoso, eu me emociono muito. Tenho rido muito, mas tenho chorado muito também de alegria e de emoção. É uma coisa maravilhosa! Obrigado por esse aplauso que eu tenho recebido de vocês e esse carinho que eu tenho recebido desde que eu nasci, embora vocês não me conhecessem lá em Cachoeiro. (aplausos)

**- Você já esteve uma vem em Moçambique e tem lá uma quantidade de fãs enorme. Todos querem ver Roberto Carlos de novo. Quando vai fazer um mega show para nós?
RC- Olha não sei exatamente, mas eu tenho perguntado ao Dodi quando eu vou a Moçambique, quando eu vou naquela área lá, maravilhosa. Dodi, diga lá!
Dodi: Nós estamos numa turnê internacional esse ano que não contempla, não temos condição de agenda para irmos para Moçambique, mas provavelmente a partir de 2011 nós estamos considerando incluir, sim, outros continentes, outros países nessa retomada da carreira internacional.

**- A música da novela "Viver a vida", "A mulher que eu amo", é uma música linda que começou a tocar na novela e todos queriam saber sobre a música nova do Roberto Carlos, se é uma composição sua e como surgiu essa música. Muitos disseram que você não estaria satisfeito com o enredo da novela. Você continua assistindo novela?
RC- Não, não é que eu não esteja satisfeito, a novela imita a vida, né, e a gente sabe que o Manoel Carlos esta seguindo as coisas que a vida mostra aí. De modo geral essas coisas acontecem. Não é que eu não esteja satisfeito, eu tenho brincado sempre: caramba como é que vão tocar a música se o casal está brigado? E por aí vai. Num momento a música parou de tocar na novela porque não tinha ambiente para a música. "A mulher que eu amo é tudo que eu quero, mais espero", né? Enfim então não tinha realmente uma cena que condissesse com a letra da música com o casal. Então a música ficou sem tocar algum tempo, aí um dia eles se beijaram novamente na boca, aquela paixão, aí a música tocou 3 ou 4 dias. (risos). Agora eles já estão beijando outros e outras (risos) e realmente não têm nada a ver com a música. Quem programa a execução da música durante a novela tem toda razão. Não tem clima para essa música tocar atualmente que cada um já está noutra. É uma música que eu fiz, comecei a fazer em 98, 99 e terminei em 2002.

**- O projeto é um sucesso e você sempre muito feliz de estar aqui. Mas também estamos num ambiente que é muito importante para você, que é o mar. Você sempre fala da sua paixão pelo mar. Queria saber se sua paixão pelo mar é um negócio de um menino que cresceu numa cidade sem mar, se você lembra quando começou essa paixão e se você poderia fazer uma analogia entre o amor e o mar.
RC- Ninguém faz uma pergunta de cada vez né? (risos) A primeira vez que eu vi o mar foi uma emoção muito grande. Eu vim de Cachoeiro para Marataízes. Marataízes hoje fica pertinho de Cachoeiro, 45 minutos, sei lá, 50, uma hora de carro se chega lá, mas antigamente a gente viajava 3 horas de trem para chegar em Marataízes. Quando eu vi o mar pela primeira vez foi uma coisa fantástica. Eu tinha acho que 4 ou 5 anos de idade. São as primeiras lembranças que eu tenho. Foi uma emoção, eu fiquei sem saber a explicação daquilo né? Daquele mar. Então eu acho que me apaixonei ali pelo mar. E depois, quando grande, continuei com essa paixão e eu digo até isso no show: o mar é uma fonte de inspiração muito grande. Você fica olhando o mar, você começa a imaginar muitas coisas, você começa a se aprofundar no seu interior como se você estivesse se aprofundando até nas águas do mar e buscando as suas coisas lá no fundo e com certeza é uma grande fonte de inspiração, embora eu nunca tenha feito uma música no mar. Isso é curioso, eu saio no meu barco e tudo, mas nunca fiz música no mar. Eu sempre faço música, realmente, sei lá, em casa, nos hotéis onde eu fico. Mas nunca fiz uma música no mar, curiosamente, embora tenha essa paixão pelo mar.

**- Charles Möeller e Cláudio Botelho estão fazendo um musical só com músicas suas. Eu queria saber qual o seu envolvimento no projeto e o que você pode contar dele.
RC- Olha sempre que fazem uma coisa com músicas minhas eu me sinto muito honrado com isso, principalmente artistas desse talento. Enfim, eu fico muito contente com isso e o meu envolvimento...eu não tenho um envolvimento direto. O meu envolvimento é indireto, através das canções que eu faço e que eles usam no projeto. Mas eu fico sempre muito honrado com tudo isso.

**- Esse ano o Exalta Rei (aquele bloco que passou em frente à sua casa e emocionou ano passado) não vai fazer a mesma coisa porque o negócio tomou proporções imensas. Então, eu queria saber se esse ano você vai a Sapucaí. Como é que vai ser o seu carnaval? E a Beija Flor já deu sinal de que gostaria de homenageá-lo no desfile do ano que vem. O que você acha disso? Se essa homenagem realmente acontecer, você vai se envolver muito?
RC- Bom esse ano eu não vou estar no Rio no carnaval, mas logicamente vou assistir o carnaval. Eu gosto muito de carnaval, gosto de assistir aos desfiles e tudo aquilo que acontece eu gosto de ver. Agora essa questão da homenagem para mim pel escola de samba, da Beija Flor né, eu sempre me sinto muito honrado com isso. É uma homenagem das maiores ser homenageado como tema de uma escola, é uma coisa que me emociona. Fico muito sem graça. Eu já fui homenageado uma vez pela Cabuçu e desfilar é uma coisa que eu sou um pouco tímido para isso, mas eu acho que me dei bem (risos) Agora, eu fico muito honrado com tudo isso.

**- Como estão os preparativos para o show no Radio City Hall?
RC- Bem, a gente começa a preparar o show agora. Depois dessa temporada a gente começa a preparar o show. Toda essa excursão e... Enfim, vamos preparar da melhor forma, mas ainda não começamos, não. Com certeza vamos colocar músicas em espanhol, porque o público latino lá, o público hispânico de língua hispânica, é realmente muito grande. E vou sempre cantar músicas brasileiras porque eu gosto sempre de mesclar tudo isso. Às vezes em começo a cantar nos shows lá fora e quando canto em português alguém sempre grita lá da platéia: Em espanhol. Aí eu mando logo a frase seguinte em espanhol. Aí quando eu canto em espanhol, alguém gritã: Em português. Aí eu mando a outra em português, aí embola tudo, acabo esquecendo a letra, viu? Mas ainda bem que tem um teleprompter na minha frente me orientando.

**- No seu espetáculo para o navio, para o cruzeiro, você faz algum tipo de adaptação nele ou é exatamente o mesmo espetáculo que a gente vê em terra? É basicamente o mesmo show que a gente assistiria numa casa de espetáculos em terra?
RC- Não, não é exatamente o mesmo, é basicamente o mesmo, porém como o navio, como isto aqui é um ambiente em que a gente sente muita intimidade, um ambiente intimista, vamos dizer assim. Então, muita coisa que a gente não pode fazer num estádio, num ginásio ou numa casa para 5 mil pessoas a gente pode fazer aqui, porque todo mundo fica muito perto. Então a gente trata de fazer esse show de uma forma mais intimista. Ah...não vou contar porque aí você não vai ter a surpresa. Eu não gosto de surpresa não, mas às vezes a surpresa é necessária. Então, aqui a gente faz algumas coisas que têm a ver com o cruzeiro, que têm a ver com essa coisa intimista, com esse ambiente intimista que a gente tem. Eu canto, por exemplo, uma canção, “Comandante de seu coração”, que tem tudo a ver com o mar e com o cruzeiro e que eu fiz quando meu barco Lady Laura III ficou pronto. Então, é uma música que tem tudo a ver com esse ambiente. E tem um brinde que a gente faz também que tem tudo a ver com a Itália. Você vai ver.

**- Saindo um pouco da parte musical, eu queria que você fizesse uma análise do momento econômico do Brasil, se você enxerga o país positivamente diante dessa ascensão da economia do país e desses escândalos que vêm acontecendo.
RC- Em primeiro lugar eu quero dizer para você que sei fazer música e sei cantar. De economia eu sei aquilo que leio nos jornais, que vejo na televisão e que ouço falar. Com certeza eu sou muito otimista e confio no Brasil e vejo que o Brasil está numa situação realmente que deixa a gente muito contente. Muitas coisas estão acontecendo, o Brasil lá fora tem tido uma importância e respeito cada vez maior pelos estrangeiros, vamos dizer assim, e tudo isso nos dá uma idéia de que podemos ficar sempre otimistas em relação à economia do país. No meu entender de compositor e de cantor, eu acho que nós estamos numa situação boa. Vamos ficar melhor, com certeza a gente vai melhorar mais ainda pelo otimismo que eu tenho.

**- A rádio MPB tem um programa em sua homenagem, “Que rei sou eu“. O que é MPB para você? A nossa rádio é a única do Rio que só toca música brasileira. O que você pensa disso?
RC- Bom, MPB para mim a sigla já diz, música popular brasileira. Tudo que é popular e é brasileiro é MPB. Eu acho que MPB não se restringe, embora não seja muito visto assim, mas na minha cabeça MPB é tudo que é popular e que é música brasileira. Agora...Eu acho isso muito legal, acho isso muito bom, embora não possa dizer que as rádios que tocam músicas estrangeiras estejam erradas. Eu acho que a gente tem que saber o que está acontecendo lá fora. Com certeza tudo que esteja acontecendo lá fora é bom que a gente saia aqui, mas eu acho que as duas coisas são válidas. Música popular brasileira somente numa rádio é muito bom. Quando a gente quer ouvir música brasileira bota na rádio.

**- Você já falou várias vezes que é um apaixonado por televisão, que vê muito televisão, já falou das novelas, o "Big Brother" está acontecendo e movimenta muito o país. você acompanha o "Big Brother"? Tem participante preferido?
RC- Olha, eu acompanho o "Big Brother", sim, mas atualmente eu não tenho acompanhado todos os dias, não. Uma vez ou outra eu tenho visto. Eu gosto muito do programa, eu gosto de ver, sabe? Ainda não tenho um participante favorito para dizer para você não, principalmente por todas essas coisas que têm acontecido. Eu tenho estado muito dentro do estúdio e não tenho podido ver o "Big Brother", não tenho podido ver o "Big Brother" nem ver a novela todo dia, e eu sou noveleiro profissional. Então não tenho visto. Mas algumas coisas que eu até falei aqui da novela são coisas que às vezes nem vi. Tenho sabido. Eu não tenho visto a novela da forma que eu gostaria de ver. Não tenho candidato. Aliás, por falar em novela, eu falei que essa música da novela eu fiz há algum tempo, fiz realmente em 98 ou 99, e muita gente me pergunta para quem eu fiz essa música, se foi para a novela. Com certeza não foi porque a novela nem existia naquela época, nem a idéia. Essa música eu fiz para Maria Rita.

**- Infelizmente Minas Gerais não tem águas navegáveis para um "Emoções em alto mar". Você tem algum show para Minas em 2010?
RC- Não tem mar mas tem rios, né bicho? A gente pode de repente botar uma canoa lá e fazer um show numa canoa num rio. (aplausos e risos) Com certeza pode ser até bacana. Olha, não, eu não tenho, eu estou brincando com você, mas é sempre um prazer muito grande ir a Minas Gerais. As vezes que eu tenho ido lá tenho tido muitas alegrias, uma emoção muito grande. O mineiro é muito forte, muito entusiasta e eu sempre volto lá muito contente. Eu tive lá há pouco tempo né, ano passado. Com certeza pelo menos uma vez por ano eu tenho ido a Minas Gerais, a Belo Horizonte principalmente. Acho que esse ano vou de novo.

**- O prefeito de Niterói tem falando muito em você para inaugurar o Caminho Niemeyer, que é a maior obra da cidade e você chegou a morar lá no início de carreira. Conta um pouco dessa relação com a cidade de Niterói, nesse início seu lá na cidade.
RC- Eu vim, eu saí de Cachoeiro com 13 anos de idade se não me engano e vim morar em Niterói com minha tia. Morei com ela no Fonseca. Eu tinha vindo antes morar em Icaraí quando eu tinha 9 para 10 anos. Depois eu vim aos quase 14 anos e vim só para passar férias, mas aí resolvi ficar, meus pais me autorizaram, minha mãe e meu pai autorizaram que eu me matriculasse no Colégio Brasil, em Niterói, e eu morava com a minha tia Dindinha, dona Jovina, ali no Fonseca, na Rua São José, perto do Largo do Moura. Eu morei um ano ali, aí a minha família se mudou para o Rio e eu vim para o Rio de Janeiro. Morei no Lins de Vasconcelos e ali eu já tinha começado a tentar os programas que davam oportunidades para novos cantores. Eu vivia frequentando as rádios e tentando a televisão, até que as coisas começaram a acontecer.

**- Você é noveleiro e nessa paixão tem prestigiado grandes musas da TV que são grandes nomes do teatro. Dira Paes vai estrear em breve uma peça. Você vai estar na platéia?
RC- Se eu puder, vou. Se eu puder estarei sim, porque o talento de Dira Paes é realmente fantástico. Eu sou fã da Dira. Estivemos juntos no meu Especial esse ano. Foi uma alegria grande para mim, um número que eu gostei muito de fazer com ela. Enfim, se eu estiver aqui eu gostaria muito de ir, sim. Não na estréia, mas logo depois.

**- Você acabou de falar que fez uma música e para outra colega respondeu que está bem, que seu coração está bem. De onde vem tanta inspiração? Seus fãs querem uma rainha para esse rei?
RC- A inspiração vem da vida, né? Eu sou um grande observador da vida, eu observo tudo que passa por mim, enfim, nada passa desapercebido por mim, então eu... A minha grande inspiração é a vida. Algumas coisas em particular, mas em geral a vida... eu sou um tipo de compositor que sou um contador de histórias. Em "Café da manhã" eu conto como começa, como termina. Em "Eu te proponho" conto uma história, chega no final dizendo o que vai acontecer, enfim, mas é a vida que me inspira. (aplausos)

**- E quanto à rainha?
RC- Vamos deixar as coisas seguirem e acontecerem naturalmente. Se a vida é minha inspiração, vamos deixar a vida me levar.

**- São muitas emoções nesses 50 anos, mas hoje em dia me diga as três melhores coisas da vida.
RC- Três melhores coisa da vida como? As três coisas que gosto mais? As três coisas melhores, mais gostosas da vida? Posso começar pela segunda? (risos) A segunda é sexo. (risos e aplausos) Ninguém pode negar que é a segunda melhor coisa da vida. Se alguém disser que não é hipocrisia. A primeira melhor da vida é sexo com amor. (aplausos) Também ninguém pode discutir isso. E a terceira... Sorvete, bicho. Eu adoro sorvete. Sorvete é muito bom, viu?

**- O que você acha desse título de rei que você tem? Esse título não te permitiu realizar algum sonho na vida? E que sonho?
RC- Não, não me permitiu não. Isso não me atrapalhou em nada, muito pelo contrário. Eu encaro isso como uma homenagem do público, recebo isso com muita humildade, porque na realidade eu não me considero assim, inclusive no início quando alguém me chamava de rei eu ficava muito sem graça. Depois comecei a me acostumar porque não tinha jeito e comecei a ver a importância que as pessoas dão a isso, o carinho com que as pessoas dizem isso para mim. Então eu recebo isso com muito amor, muita humildade, um agradecimento muito grande, mas não me considero um rei, não.

**- No seu tempo livre você costuma fazer musculação e tudo mais. Você é um cara vaidoso, faz chapinha e tudo mais. Quais são os seus cuidados com a beleza? Com físico, você costuma malhar diariamente? Como você cuida de você? Cortou o cabelo, etc...
RC- Bem, eu me cuido. Realmente sou vaidoso. Fisicamente sou vaidoso, realmente. Eu gosto de fazer tudo que me dê uma boa aparência, eu luto contra os anos, saio na pancada mesmo (risos), brigo muito com eles, muito. Não vou deixar os anos caminharem e..não, faço tudo para estar o melhor que eu posso nessa altura do campeonato. Faço sim, faço musculação. Não vou dizer para você que eu tenho uma vida super saudável, não, porque eu não tenho muita...eu não durmo em hora certa, mas eu procuro dormir as horas que eu preciso dormir. Nem sempre durmo pela quantidade de trabalho que eu tenho. Faço musculação, não faço todos os dias, faço dia sim dia não e às vezes nem dia sim dia não. Às vezes fico um tempão sem fazer, enfim, mas todo o tempo que eu posso dedicar a melhorar minha aparência eu dedico mesmo. Não tenha dúvida, viu? Cabelo, por exemplo, agora estou tratando o cabelo, sim. Tudo que eu posso fazer para ficar um pouco melhor, né? Na Jovem Guarda a gente não tinha chapinha, não tinha nada. (risos ) O sonho de todos os artistas da Jovem Guarda que não tinham o cabelo do Ronie Von, o sonho de todos nós era que pintasse uma coisa como a chapinha que existe hoje. Nós não tínhamos, né, mas as meninas passavam o cabelo a ferro (risos), mas agora a gente já tem esses recursos. Então, todos esses recursos eu uso. Tem uma pessoa que está do tratando meu cabelo, que é a Adriana, minha cabeleireira, que inclusive está presente. Cadê a Adriana? (aplausos) Ô Adrianinha, tudo bem? Essa moça bonita aí está cuidando do meu cabelo. Enfim, ela que deu esse corte.

**- Ainda beleza, você sempre falou que quando fizesse plástica contaria e faria. Todos os anos a gente percebe que sua pele está ótima. Já fez plástica ou não fez?
RC- Você sabe que está fazendo essa pergunta com 2 anos de atraso? Porque o ano passado todo mundo disse que eu fiz plástica e na entrevista ninguém me perguntou. Eu cheguei aqui prontinho para responder e ninguém me perguntou da plástica. Então disseram muita coisa. Disseram que eu estiquei a cara toda, disseram que eu estiquei tudo, (risos) até a cara (risos). Não foi nada disso, não. Sabe, eu fiz uma correção de uma cicatriz que eu tinha no pescoço e aproveitei dei um a puxadinha no pescoço, mas no rosto eu não mexi, não, mas agora até parece que está precisando de novo (risos). Viu? Mas não fiz, não, não fiz nada, absolutamente nada no rosto, só dei uma puxadinha no pescoço porque ele estava um pouco... estava rolando um babadinho aqui. (risos)

**- Você leu o livro do Erasmo? O que você achou? O disco dele também foi muito elogiado. Quero saber se você gostou.
RC- Com certeza gostei, o livro do Erasmo é um livro muito legal, muito bom de ler, muito divertido. O Erasmo conta umas coisas de uma forma muito especial dele.

**- Ele conta alguma mentira?
RC- Não, (risos) pelo menos a meu respeito não. Tem uma forma de contar que é muito especial, tem muito humor em tudo. Principalmente a meu respeito eu tenho certeza que ele não mentiria, não. Ele também não é mentiroso, ele é um cara muito verdadeiro, Erasmo é um ser humano da maior qualidade, é um irmão que eu escolhi. Erasmão é meu camarada mesmo.(aplausos)

**- E o CD?
RC- O que tem o CD do Erasmo? Sim, muito bom, muito bom. O trabalho do Erasmo é sempre muito bom.
**- Quais são seus personagens marcantes nas novelas?
RC- São muitos né? A Norminha, por exemplo, é um personagem que me marcou muito. A Bebel (risos)... a Bebel é um personagem que marcou não só a mim. Camila Pitanga realmente arrebentou no papel, assim como a Dira Paes arrebentou no papel da Norminha. Esses personagens com certeza marcam muito. Todo mundo que gosta de novela e assiste novela dessa forma que eu assisto, de forma leve, aprecia essas coisas com um certo humor. Às vezes as vilãs me irritam, mas eu sei que elas têm um papel importante na trama de uma novela. Mas eu prefiro as mocinhas.

**- O navio está indo em direção a Angra, que foi uma região recentemente afetada por uma tragédia, uma catástrofe natural. Você também já fez músicas falando da natureza. Qual a sua preocupação com o meio ambiente?
RC- A minha preocupação é sempre maior. Eu acho que tem que cuidar de tudo mesmo, cuidar do aquecimento global, a gente tem que realmente estar sempre muito atento e fazer tudo aquilo que tem que fazer para evitar coisas terríveis no futuro. Isso aí foi lamentável. Foi uma tristeza nacional e eu acho que internacional também. Todo mundo que soube disso ficou profundamente triste com tudo que aconteceu. A gente tem que ter realmente muito cuidado com a natureza e cuidar dela da forma que tem que ser cuidada.

**- Você pensa em fazer alguma música sobre isso agora?
RC- No momento não, mas é sempre imprevisível aquilo que a gente vai fazer em matéria de música.

**- Uma mensagem, Roberto.
RC- Mando um beijo a todos, um beijo com muito carinho, um abraço muito carinhoso. Obrigado por tudo isso, obrigado por todas essas coisas lindas que eu tenho recebido desse público maravilhoso.

**- Tem alguma música que você ache que não possa faltar no programa que toca músicas de Roberto Carlos?
RC- Que não possa faltar seria pretensão minha, mas que eu gostaria de ouvir são sempre aquelas que eu gosto mais das que eu fiz: "Emoções", "Detalhes", "Como é grande o meu amor por você"... "Jesus Cristo" eu gosto muito de ouvir...

**- A Nativa e o Dudu estão liderando há 10 anos com o programa “As canções que você fez pra mim”, tocando uma hora de sucessos de Roberto Carlos. Eu queria uma mensagem para os ouvintes da Nativa.
RC- À Nativa, muito obrigado, meu carinho, meu reconhecimento por essas homenagens todas e esse carinho que eu tenho recebido por parte do público. Obrigado, meu filho Dudu, também, que com certeza me prestigia o tempo todo. Obrigado a todos.

**- O Vasco da Gama voltou ao grupo A. você é vascaíno. Queria que você deixasse uma mensagem para os vascaínos.
RC- Vascaínos, vamos em frente! Agora vamos jogar pra frente e torcer cada vez mais pelo Vasco, nosso Vascão! E a coisa vai dar certo! Vamos em frente!

ROBERTO CARLOS FINALIZA A COLETIVA SE DESPEDINDO DE TODOS.
RC- Obrigado, obrigado, obrigado.

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