ROBERTO CARLOS
entrevista coletiva realizada no Hotel Sheraton, Recife
11.11.2000




Desde o lançamento do CD “Canciones que amo”, em 1997, Roberto Carlos não recebia a imprensa para uma entrevista coletiva. No último dia 11, horas antes do lançamento da tournée “AMOR SEM LIMITE”, Roberto Carlos conversou com os jornalistas na sala de convenções do Hotel Sheraton, em Recife. Falou do novo CD, da temporada que está estreando, dos onze meses afastados dos palcos, de amor e de saudades... muitas saudades.

- Roberto, durante esse período muita coisa foi publicada sobre o seu futuro, inclusive que você estava pensando em ser padre. O que tem de verdade nisso?
RC – Eu nunca falei isso, pode até ser que em algum momento eu tenha pensado, mas nunca falei para ninguém, então não sei como é que souberam. Foi um pensamento rápido e não passou disso. Naturalmente em momentos difíceis de nossa vida, em que se fica preocupado com o futuro, a gente começa a se questionar: “Meu Deus do Céu, o que é que eu faço? Viro padre, sei lá?”, mas não passou disso.

- Na sua nova música “Tu és a verdade, Jesus”, tem uma frase que diz “continuo a caminhar”. Você não precisa de fama, de dinheiro e de sucesso pois já conquistou tudo isso. O que o faz voltar à carreira?
RC – A gente tem que seguir em frente, cumprir o que viemos fazer aqui na Terra. Partindo desse princípio, tem que se fazer as coisas direito. É isso que me move, e estou fazendo o que deve ser feito, e com certeza aquilo que Maria Rita, meu bichinho, quer que eu faça. Isso é que é o principal.

- Roberto, a cidade de Itabuna está com muita ansiedade esperando o show, já que há 17 anos você não canta lá. As emoções serão as mesmas daquele show?
RC – Um pouco diferentes, mas serão vividas. É lógico que a gente tem que lutar e tentar continuar a viver as emoções que a gente tem vivido.

-Você sempre diz que as mudanças em seus discos são sutis, e por isso a crítica não percebe...
RC – Na verdade, nesse disco eu nem pensei em mudanças, nem sutis e nem drásticas. Eu só pensei em fazer um disco que fale de amor, que ele seja num todo uma declaração de amor, porque ele é feito para Maria Rita. Então o principal propósito é que fale de uma forma alegre de amor. Evitei falar de coisas tristes porque tenho certeza de que a Maria Rita quer que eu faça um disco de amor, que não fale de sofrimento, de dor ou coisas parecidas. Quando eu comecei a fazer o disco não tinha esse propósito, mas percebi que ele estava surgindo desse jeito. Ele pode ter alguma tristeza nas entrelinhas, mas nas linhas só tem frases de amor, e de um amor bem presente, tratando de tudo de uma forma direta. Não sei bem como explicar, só mesmo ouvindo o disco. Foi difícil fazê-lo, porque quando se compõe tem-se que fazer concessões. Você está fazendo uma música, começa a falar de amor, e vem logo a rima com dor, e para não colocar esse tipo de rima tive que mudar um pouco a maneira de compor as músicas. Por isso fiz questão de nesse disco seguir o meu objetivo de falar do amor de uma maneira alegre. Então todos os caminhos, os propósitos, as rimas, as idéias que poderiam mudar o rumo do meu objetivo foram evitados. Por isso que foi um disco mais difícil de ser feito, porque as composições ficam mais difíceis quando se tem uma meta muito rígida e não se admite alterá-la para facilitar as composições. Mas eu consegui, o disco tem me emocionado muito pela emoção que tenho ao falar de amor. Sem dúvida alguma que ele é uma declaração de amor, de ponta a ponta à Maria Rita. Mesmo nas canções dos outros compositores tive o mesmo critério na escolha, eu só quis falar de amor bem sucedido.

- Por que voltar a fazer shows iniciando a tournée por Recife?
RC – A primeira vez que viajei para fazer um show fora do Rio foi para Recife. Isso foi quando meus primeiros discos começaram a fazer sucesso no Norte e Nordeste. Foi muito bom para mim, para minha carreira, representou muito para minha vida e por isso aquela viagem a Recife tem um lugar muito especial no meu coração. Foi o meu primeiro contato como artista com um público fora da minha cidade. Fui muito bem recebido e nunca deixei a cidade de Recife fora das excursões que faço pelo Norte e Nordeste. Por isso achei que deveria recomeçar por aqui, e tem o Geraldão, que é um ginásio que me dá grandes alegrias e grandes emoções. Por isso resolvi voltar a cantar aqui, por tudo isso e por mais algumas coisas, sei lá. Também pensei em voltar começando em Cachoeiro, mas preferi Recife.

- Você está voltando de cabelos grisalhos. Não passou pela sua cabeça continuar de cabelos brancos?
RC – Passou pela minha cabeça, sim, mas eu já estava me acostumando com os cabelos grisalhos e não quis voltar com uma mudança tão drástica. Talvez até pensei em daqui para frente deixá-los embranquecer aos poucos, fazendo uns reflexos prateados, mas acho que ainda não é o momento. E também quis ser como eu sempre fui, sem mudar em nada, por várias razões e por uma principal: A Maria Rita sempre me viu de cabelos escuros.

- Recentemente foi publicada uma reportagem dizendo que você só estava recebendo os padres. Você não está preocupado com o fato de que essa imagem possa ofender seus fãs?
RC – Olhe, eu não tomei conhecimento dessa reportagem e com certeza não falei isso, porque há muito tempo não tenho dado entrevista. O que acontece é que num momento como este existe uma tendência das pessoas analisarem as coisas de uma forma diferente, e sempre falam em tristeza. Eu não fiquei deprimido. Eu nunca tive depressão, eu tenho tristeza, tristeza e uma saudade muito grandes. Tenho chorado muito, muito, mas eu não tenho depressão, porque em estado depressivo a pessoa não quer saber de nada, fica prostrada. Essa prostração eu não tive, tenho reagido e tratado de fazer as minhas coisas, mesmo com muita dificuldade.

- Você acha que está preparado para voltar a cantar?
RC – Acho que ainda não estou preparado para começar, retornar à minha vida artística. Eu tenho sentido isso nas dificuldades que tenho com o meu trabalho; tudo tem sido muito difícil. O meu estado emocional ainda está muito mexido, eu não estou pronto para voltar, mas eu preciso ter força para ficar bem. Então eu acho que o contato, a energia e o carinho do público são muito importantes e tenho certeza de que ele vai me ajudar muito, por isso é que não podia adiar a minha volta. Sempre digo que a minha platéia é a minha família e quando digo isso é porque cada pessoa que está ali na platéia é muito mais que um amigo. Eu me sinto assim diante do púbico, e ele é uma família para mim. Sinto que essa volta vai me fazer muito bem e até mesmo me ajudar a superar as dificuldades. Antes que vocês me perguntem que dificuldades são essas, eu vou logo adiantando. São de analisar as coisas e decidir se tudo está bom. Também tenho chorado muito e por isso há dificuldades em colocar a voz nas músicas, porque quando a gente chora a voz muda, o nariz fica congestionado, então todas essas coisinhas atrapalham quando se está fazendo um disco. Mas isso tem sido superado. Se não dá para gravar às três da tarde, se grava às duas da manhã. Importante é que estou contente como resultado do disco, está um trabalho bonito do jeito que eu gosto de fazer um disco, principalmente este.

- Comenta-se que existem três projetos para o ano que vem: um songbook, uma biografia e um disco sertanejo. Pode comentar?
RC – Comecei o disco sertanejo em fevereiro e pensei que dava para lançar ainda este ano, mas percebi que era muito difícil. Há quatro músicas prontas, mas paramos porque teria que lançar o disco de fim-de-ano. Sobre a biografia existem conversações com o repórter Okky de Souza, da revista “Veja”, para fazê-la. Sobre o songbook ainda não sei, tenho que pensar. Acho que não é uma coisa para eu decidir tão rapidamente.

- O que você pode nos adiantar desse disco sertanejo?
RC – São canções que outros cantores já gravaram. Não sei se terá alguma canção inédita. Tem algumas músicas que já gravei, mas que irão ganhar um arranjo todo especial, bem à moda sertaneja. Quando em 84 eu gravei a canção “Caminhoneiro” ela não era sertaneja, mas agora eu consegui dar uma característica sertaneja e gostei.

- Nesse período que você ficou em casa, o que te ajudou a superar a tristeza?
RC – Muita coisa, minha família, meus amigos, meus filhos, meu trabalho, é claro as orações, o reiki também, todo mundo sabe que eu fiz. Tudo isso me ajudou e continua me ajudando. Mas esse colo, esse carinho que o Brasil tem me dado tem me ajudado muito, muito, muito.

- As pessoas comentam que o sofrimento nas aproxima mais de Deus. Você acha que Deus tem sido justo com você?
RC – Em primeiro lugar descobri que essa frase “fique tranqüilo, que isso é vontade de Deus”, não é bem assim, principalmente quando se trata de sofrimento. De jeito nenhum, eu não creio nisso. Deus não nos dá sofrimento, não nos dá coisas ruins, não nos maltrata, porque nenhum pai maltrataria um filho. Então, partindo desse principio tenho certeza de que Deus tem me dado forças para superar esse sofrimento, enfrentar tudo isso e cumprir minha missão. O sofrimento é uma coisa generalizada do planeta, e creio que Deus está acabando com isso. Se analisarmos o mundo vamos saber que atualmente as coisas têm uma velocidade muito maior do que há cem anos, muita coisa tem sido solucionada para o bem da humanidade. Isso é resultado do trabalho de Deus, do que Ele tem feito de bom para nós. Muita coisa ainda está para acontecer mas acredito que Deus é realmente bom e justo, Ele não dá dor, dá a endorfina.

- Após 41 anos do lançamento do seu primeiro disco, você continua sendo o cantor número um do Brasil, e seu sucesso é comparado ao de Elvis Presley e Frank Sinatra.Como você se sente?
RC – Eu não tenho essa pretensão, imagina! A pretensão de ter o carisma do Elvis, jamais. Eu procuro fazer direito o que eu faço e usar aquilo que tenho, que me foi dado por Deus para fazer música. Todos nós temos uma partícula de Deus dentro de nós, e partindo dessa partícula é que fazemos as coisas e buscamos a coerência em tudo. Não tenho essa pretensão, não... eu só canto, bicho!

- Qual a importância de sua mãe no seu dia-a-dia atualmente?
RC – Ela é uma das pessoas que têm me dado muita força, que têm estado muito comigo.Se for para falar de força, das pessoas que têm me ajudado, eu tenho que falar da minha mãe, tenho que falar dos meus filhos, da Carminha, minha secretária fiel, e de todo os meus amigos. Além, também, das pessoas que trabalham comigo e de todo o povo que continuou do meu lado, mesmo de longe.

- Você poderia comentar sobre o resultado das recentes eleições municipais?
RC – É muito difícil falar sobre isso, porque só iremos saber os resultados depois que as pessoas eleitas apresentarem os resultados de seus trabalhos.Votar é delicado porque não sabemos se o candidato irá corresponder às nossas expectativas. Isso eu não posso responder, depende deles.

- Como você vê o progresso da tecnologia?
RC – Isso faz parte do trabalho de Deus. Ele age por todos os meios usando as pessoas, por isso Deus também está presente na tecnologia. Eu penso que Ele faz as coisas inclusive dentro da capacidade do homem, nessa energia e nessa partícula que existe dentro de cada um de nós. Por isso tudo é resultado da vontade e da justiça de Deus, e sou muito otimista em relação a isso, mas é lógico que depende do homem usar sempre o que Deus nos dá para o bem.

- Como você observa a presença de tantos amigos que vieram a Recife ver a sua volta?
RC – Todas essas presenças me emocionam muito e fico muito agradecido por esse amor, esse carinho, esse abraço. Sei que a Hebe está aqui. Ela é uma pessoa muito querida.Todas as demonstrações dos amigos e dos colegas, tudo isso é muito valioso. É claro que tudo me emociona e faz correr o risco de chorar um pouco mais durante o show.

- Foi você quem as convidou?
RC – Não, todas vieram espontaneamente.

- Como você vê a participação dos artistas em problemas sociais?
RC – As opiniões das pessoas famosas sobre os problemas sociais são sempre muito importantes, mas a participação depende de cada um. O artista tem sempre que dar a sua opinião de uma maneira muito pensada e equilibrada porque ele tem uma responsabilidade muito grande. Nem sempre o ser humano tem opiniões certas, e quando essas opiniões são dadas por um artista elas alcançam um número muito maior de pessoas. Se o artista não tiver essa responsabilidade, é melhor ficar quieto.

- Você sempre manteve uma certa privacidade quanto à sua vida. Por que se expôr agora numa biografia?
RC – O que você quer dizer com isso, que a minha biografia vai ter coisas que eu não quero que sejam publicadas? A minha biografia vai ser normal, eu não tenho muita coisa a me preocupar quanto à minha biografia, ela vai falar de muitas coisas que penso, que tenho feito. Biografia não é uma reportagem, biografia é uma biografia.

- Cada vez tem sido mais intensa a presença de músicas religiosas em seus discos e nos seus shows. Você não teme que no futuro o púbico santifique a sua imagem?
RC – Não penso e nem tenho a pretensão de pensar assim, mesmo porque eu sou um espectador de mim mesmo sobre tudo isso. As músicas religiosas que tenho feito falam de meus sentimentos, dos meus pensamentos, mas sem nenhuma pretensão de santificar a minha imagem. Quando você é menino, você ouve e aprende tantas coisas, mas quando fica adulto começa a observar outras coisas que não sabia e que não são exatamente como na visão infantil. Na mensagem deste ano, “Tu és a verdade, Jesus”, me ocorreu falar o que sentia, que Jesus é realmente inquestionável, indiscutível. A gente pode discutir muitas coisas que até os homens dizem com respeito a Ele, mas se você for analisar a pessoa de Jesus, sua obra, o que Ele fez e o que Ele é, aí é incontestável. Então, partindo desse princípio, para mim hoje a verdade é Jesus, eu posso questionar muitas coisas em todo os sentidos, mas a obra de Jesus, o Homem que veio à Terra mostrar o caminho certo, é indiscutível. Por isso, a minha conclusão é que posso discutir qualquer coisa, mas Jesus é o máximo!

- Quando você fez a música “Amor sem limite”? É verdade que você chorou no ensaio?
RC – Como é que você soube? É, você tem bons informantes. Essa música eu fiz há uns três ou cinco meses, talvez, foi uma das músicas que fiz mais rápido desse disco. Ela veio naturalmente.

- Quais são as outras músicas do disco?
RC – Tem “O grude (um do outro)”, que eu fiz no ano passado, e a Maria Rita conhece. Também fiz “O grande amor da minha vida” que a Maria Rita também conhece o refrão... Bem, ela conhece tudo porque ela está vendo tudo isso, com certeza, apenas estou falando de épocas diferentes. Agora eu fiz “O amor é mais”. Como falei, é um disco de amor, o que dá para ver pelos títulos das canções.

- Como vai a sua parceria com o Erasmo, já que não tem música dele no disco?
RC – A minha parceria com o Erasmo vai muito bem e vai continuar sempre muito bem porque nossa amizade está muito acima de qualquer coisa. Essas canções eu fiz sozinho porque são coisas muito particulares da minha vida. O Erasmo, como grande pessoa que é, foi o primeiro a me deixar à vontade para fazer o que sentisse e partindo do que dizia o meu coração. Desde o ano retraso, com a canção “Eu te amo tanto”, o Erasmo entendeu muito bem essa situação. São músicas muito particulares, não são letras para serem discutidas com parceiros, mas para serem discutidas comigo mesmo. Todas elas têm uma meta, um objetivo, e a sensação de fazê-las sozinho é muito boa, porque pude dizer o que estava no fundo do meu coração. É claro que é muito bom compor com o Erasmo, mas o tipo de canção nesse momento, com esse sentimento, nessa situação, eu preferi fazer sozinho.

- Além das suas músicas, quais são os outros compositores que estão no disco?
RC – Tem uma música do Reinaldo Aryas, tem uma do Eduardo Lages como Paulo Sérgio Valle...

- O que você tem ouvido atualmente?
RC – Eu tenho trabalhado muito e ouvido pouca música, mas do pouco que eu ouço tem muita coisa que me emociona, como a canção do Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle, que a Ivete Sangalo gravou, “Se eu não te amasse tanto assim”. É uma música que me emociona muito.

- Você não ia gravar uma música do Herbert Viana?
RC – Ele me mandou, mas a música não estava dentro do perfil do disco. É uma canção muito bonita, como tudo que ele faz. O Herbert é grande!

- Você ficou aborrecido com o assédio que sofreu da imprensa neste período?
RC – Não me irritou. É claro que mexeu um pouco com a minha privacidade, sempre me incomoda um pouco, mas não passou disso. Cada vez que acontecia eu pensava: “Poxa, como as pessoas se interessam por mim...” Tudo tem o lado positivo.

- Como você se classifica hoje, esse momento de sua vida?
RC- É algo sério... É melhor você me dar um tempo... Quem sabe eu não faço uma música no ano que vem? A minha vida hoje... ah, o que eu posso dizer? A minha vida passa por uma fase difícil porque tenho que enfrentar tudo isso sem a presença física da pessoa que mais amo. Sem a presença física da pessoa que é o que há de mais importante, de mais bonito e de mais precioso que eu conheci, do amor mais maravilhoso. Eu aprendi que a medida certa do amor é o amor sem limite, e todo mundo há de convir que é difícil encarar a vida, principalmente por se tratar desse amor sem limite que é o meu amor e o da Maria Rita, o nosso amor. Por tudo isso é que eu luto para superar as dificuldades, é como diz a própria música. (Nesse momento, Roberto Carlos dá uma longa pausa, e os jornalistas o aplaudem. Depois ele continua). Como diz a música, “vivo por ela, porque ela é tudo em minha vida”.

- O que você gostaria de dizer aos seus fãs?
RC – Eu quero agradecer todas as manifestações de carinho e de amor que recebi. Tudo o que foi feito nas ruas, nas casas, nas televisões, nas emissoras de rádio. Para mim seria muito difícil agradecer a todas essas pessoas pessoalmente, mas quero que elas tenham a certeza do meu agradecimento profundo.





Depois da coletiva para a imprensa escrita e para as emissoras de rádio, Roberto Carlos recebeu as emissoras de televisão para uma outra entrevista coletiva. Decidimos publicá-la mesmo sabendo que algumas perguntas soarão parecidas. Sempre haverá algo um pouco diferente nas respostas de Roberto Carlos. De qualquer forma, depois dessa longa ausência, nunca é demais saborear cada palavra do nosso Rei, que deu início à coletiva se apresentando bem descontraído e agradecendo a presença dos jornalistas: “Obrigado mais uma vez por estarem aqui, obrigado por esse carinho, por esse amor, por esse colo e por todas essas coisas bonitas que eu tenho recebido de vocês. Obrigado”.

- Roberto, durante esse tempo você deixou seus cabelos ficarem brancos.Gostou do visual?
RC – Eu até que gostei dos cabelos brancos, porém eu já estava acostumado com os cabelos grisalhos, mas escuros, e fiquei em dúvida se deixava os cabelos ficarem brancos ou se fazia novamente aquele tratamento todo para eles ficarem grisalhos.Cheguei à conclusão de que deveriam ficar grisalhos, porque sempre tive cabelos grisalhos e, logicamente, porque a minha Maria Rita sempre me viu de cabelos grisalhos. Então eu quis continuar assim, quero continuar assim do jeito que ela gosta.

- Você está mais magro.Quantos quilos você perdeu nesses onze meses?
RC – Eu emagreci pouco, não foram mais do que dois quilos, mas reflete muito no rosto.

- Roberto, porque você escolheu Recife para voltar a cantar depois desses onze meses?
RC – A primeira cidade que pensei para voltar aos shows foi Recife, porque foi a primeira cidade onde cantei quando lancei o meu primeiro disco e comecei a ter uma projeção nacional. Foi em Recife que me apresentei pela primeira vez fora do eixo Rio-São Paulo. Por isso a cidade é muito importante para a minha carreira. Também aconteceu de aqui ter um ginásio muito bom, que é o Geraldão. Então, essas foram as razões, razões sentimentais em primeiro lugar.

- Roberto, teve algum motivo para você marcar a sua volta para o dia 11 de novembro?
RC – Acho que marquei essa data desde março, quando eu pensei que estaria preparado para voltar a fazer shows. Antes, quando chegava na hora eu via que não dava. Aí fui adiando, fui transferindo... Para dizer a verdade, eu ainda não estou preparado para voltar a confesso que quase pensei em adiar também essa data, mas percebi que não podia mais, que tinha que voltar, enfrentar tudo isso e continuar o meu trabalho. E mesmo porque tenho certeza de que a Maria Rita quer que seja assim. Aliás, quero aproveitar e agradecer a todas as pessoas que transferiram datas de contrato que eu tinha feito anteriormente, de forma muito carinhosa. Todo mundo foi muito carinhoso ao aceitar os meus pedidos de transferência de datas, porque eu pensava que em dois ou três meses estaria preparado para retornar às minhas atividades profissionais, voltar a cantar.

- Roberto, qual vai ser a sua reação de reencontrar o seu público?
RC – Eu estou partindo do princípio que eu vou ver esse público como seu sempre vi, meus parentes, meus irmãos, minha família. Eu sempre vi o público como a minha família na platéia, nunca encarei como pessoas que estão ali apenas me aplaudindo. Eu encaro como pessoas da minha família que estão ali. Então isso me dá uma liberdade muito grande, e é por causa dessa liberdade que tenho que fazer as coisas da forma mais espontânea possível. Partindo desse princípio, estou tranqüilo, porque se acontecer alguma coisa eu tenho certeza de que eles vão entender e me apoiar. Se eu cantar, eles vão ver isso de forma natural, e se não cantar, se chorar, eu tenho certeza de que esse púbico vai me ver da forma que as pessoas muito queridas nos vêem. Isso me dá certa tranqüilidade porque até uma semana atrás eu dizia: Como é que eu vou fazer se não agüentar? Eu estou fazendo força, fazendo muita força, concentrando-me para fazer o que tenho que fazer, cumprir o que tenho que cumprir, porque essa é a minha missão. Eu preciso voltar, eu não posso ficar isolado de tudo; eu preciso continuar a minha vida.

- O que você pode falar do disco?
RC – O disco está ficando bonito, e é um disco de amor. Um disco de muito amor, nesse disco só existem declarações de amor, de um amor sem falar de sofrimento, um amor falando sempre do que é realmente o verdadeiro amor, o amor como ele deve ser. Eu aprendi que a medida certa do amor é o amor sem limite, e esse é o amor que existe entre a Maria Rita e eu.

- Roberto, por que você se refere à Maria Rita no presente?
RC – Eu só me refiro à Maria Rita no presente porque é assim que eu a vejo. Maria Rita está presente em todos os momentos da minha vida. Eu só posso me referir a ele no presente porque ela é a minha vida, e eu só a vejo dessa forma. Vejo a Maria Rita viva, presente, sempre comigo em todos os momentos, no meu pensamento, no meu coração, ao meu lado, junto comigo, sempre, em todos os momentos. E tenho certeza que é isso que a Maria Rita quer.

- O amor que você sente pela Maria Rita é capaz de superar a dor?
RC – O amor tem uma força muito grande, é uma coisa fantástica que a gente às vezes não sabe o tamanho dessa força. Eu estou vivendo momentos delicados para saber a verdadeira força do amor, e o que tenho feito é superar a dor com toda essa força, esse amor, essa energia que as pessoas têm me passado. Eu tenho me apoiado em tudo isso também, e sempre pensei muito positivamente.

- Esse amor que você sente hoje é o amor sem limite?
RC – É um amor sem limite sim, um amor que transcende qualquer coisa. Na música eu digo que é assim meu amor sem limite, o maior e mais forte que existe. Quem ama não esquece quem amor, um amor de verdade, e um amor assim e para sempre, para a eternidade.

- Roberto, como surgiu a música “Amor sem limite?”
RC – Eu já tinha começado a compor esse disco e estava terminando algumas músicas que fiz no ano passado, como “O grude (um do outro)” e “O grande amor da minha vida”, quando comecei a cantar e a tocar a harmonia no piano. Logo de cara veio a primeira estrofe da música, parei um pouco e depois continuei, e em uma semana a música estava pronta.

- Roberto, por que você resolveu fazer as canções sem a parceria do Erasmo Carlos?
RC – Ao faze essas canções tive o objetivo de dizer exatamente tudo o que sinto pela Maria Rita, meu bichinho, então fica difícil dividir uma parceria. Todas essas canções e essas letras falam de uma coisa muito particular, e não é muito lógico ter um parceiro trabalhando junto, dando idéias no que a gente pensa e no que quer dizer. Tudo que coloquei nas letras eu quis que estivesse sento dito por mim, pois nessas músicas, em todas as letras, estão os meus pensamentos. Não havia sentido dividir esses pensamentos com um parceiro. Foi esse o critério que tive na forma de compor, tudo o que está ali, desde a música “Eu te amo tanto” que fiz há uns dois anos, são coisas que eu, simplesmente eu estou dizendo para a Maria Rita. O Erasmo Carlos, meu amigo, meu parceiro de sempre, é um homem de grande coração, e foi o primeiro a me dizer: “Roberto, fique à vontade, faça as coisas como você quer fazer, e componha do jeito que você quer compor. Se você precisar de mim estou a disposição”. Como a gente aprende com o Erasmo! Está sendo difícil compor porque estou sento muito rígido com o meu objetivo, naquilo que quero dizer, e um compositor quando usa certa rigidez no que quer dizer não utiliza certos recursos para não sair desse objetivo. Às vezes ele está falando de amor e vem logo uma rima fácil mas que desvia um pouco do assunto. Eu não tenho composto assim, tenho sido muito rígido ao falar só de coisas de amor, de amor bem sucedido, de amor sem limites.

- Como está a sua fé hoje? A fé remove montanhas?
RC – Hoje não acho que seja exatamente assim. A fé te dá forças para superar, passar por cima de montanhas, ou dar a volta para chegar do outro lado. Mas remover montanhas eu não sei... Pode ser que eu chegue a essa conclusão no futuro... Mas isso não invalida a fé, que é super-importante. Se a fé nos dá força suficiente para passarmos por cima da montanha, por que temos que imaginar que ela remova a montanha? Se através da fé você consegue força para superar a montanha, vamos superá-la e não ficar esperando que a montanha seja removida. Antigamente eu pensava assim, eu achava que a fé removia a montanha, no sentido simbólico, mas hoje eu vejo que não, que a montanha fica ali, e a gente tem que ter fé para escalar, forças para subir, passar para o outro lado. Mesmo que o caminho seja difícil, a fé ajuda muito, te dá muita força.

- Qual é o seu sonho hoje?
RC – Meu sonho é ver a Maria Rita.

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